quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Bandeira inglória

(Escolhi essa poesia para estrear no blog, espero que gostem dos meus textos e fiquem por aqui. Será uma honra compartilhar)

Na bandeira que pintei não havia glória...
Tinha lá um punhado de rebeldia
Caldeirão de bruxa
Barco sem remo
Um fuzil trepado de ódio,
Tava lá... Na bandeira que eu pintei...
Caricaturas de transeuntes mortos
Fechaduras que se fecham a si próprio
Versos que não suprem a metamorfose;
O turbilhão e a metamorfose do meu pensar.

Nas cores dela eu não refleti o vermelho berro que perturba o peito
Nem o azul das lágrimas que causei sorrindo
Nem as portas abertas do inferno cativo
Nem mesmo a colheita de absurdos que plantei!
Nada pintado em sincero...
Nada pintado em eterno;
Além da morte,
Traiçoeira antipatriótica,
Insistente em queimar minha bandeira
E arrancar-me daqui feito capim em boca de boi.

Na minha bandeira só existe traços do que fui
Do que vejo
Do que ouço...
De onde errei
Das mediocridades rendidas
Das patifarias absorvidas
Das canecas bem servidas
Das deusas, e das varridas,
De versos que julgo poesia!
Das maravilhas prometidas...
E de tudo que hei de viver.

É a minha bandeira o que sou;
Inglória ou não,
É por aqui que vou;
Levantando a bandeira da vida enquanto puder.

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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

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