quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A literária matemática




Como queiram...
Entrelaçado, aos pés do egocentrismo, virei tenor altivo da gramática.
E meus alfarrábios poéticos, versos fecais de simplismo ignóbil,
Ouro vulgar em qualquer cofre de bandido
Transformou-se pomposo em literária matemática.

As artérias desinformavam os neurônios,
Execravam funcionalidades;
E por mais que a burrice costumeira tentasse
Meus sentimentos básicos se perderam no dicionário,
Mostrando o valor enriquecido de meras banalidades.

Mas eram belas! E ricas!
(Estariam ricos os que me leram!)
E eu, pobre coitado, rendido pela falta da boa burrice
Malfadado a enredar com brilhos qualquer esquisitice
Esqueci quem era;
O que escrevia, e o que falava.

De dentro da caixa craniada eu berrava: Deixa-me rabiscar de cá!
Livra-me da grade confusa, arranca e liberta,
Deixe a bobagem correr sua meta, compartilhe!
Burro! Vulgar! Simples, ou sem clareza de regras métricas.

Mas meus alfarrábios poéticos, versos fecais de simplismo ignóbil,
Ouro vulgar em qualquer cofre de bandido
Transformou-se pomposo em literária matemática...
Afastando-me, aos poucos, do sentido nobre da gramática;
Substituída por cansativos cálculos sentimentais.

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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

Obrigado pelo incentivo de todos.