sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Meus anjos não atendem



Há um cemitério de sorrisos...
São meus algozes, são meus santos,
Fotos que me queimam, dizem tanto...
E os anjos queridos não me atendem mais.

Passeio entre as árvores desgostosas do que restou,
Busco nas lápides, apagadas, as memórias de cada movimento
Cada momento
Novo, descoberto, intenso,
Desembrulhado num inesquecível sorriso.

Como se riam os olhos de me ver!
Amavam-me, só por me ver chegar!
Sem mais! Sem ter o que dizer!
Eram meus... Amando por amar.

Idiota! Poço de pequeno ego resumido!
Otelo enganado, abutre fingido!
Onde estão os sorrisos agora?!
Enterrados num cemitério só teu,
E bem vivos pela porta afora!

Sorrisos nus de um campo mesquinho,
De um sentimento qualquer, antídoto passarinho,
Voando, a levar-se por experientes carinhos,
Esqueceu-se feliz da nossa ninhada.
Nossa ninhada!
Estes campos pobres nunca te darão flores inteiras!
Nem estas flores te devolverão meu sangue por clorofila!
É teu o meu sorriso eterno e guardado, flor amada;
É tua a minha filosofia.

Não quis comprar sorrisos diferentes...
As lápides sabem...
Só quero amar o seu sorrir de cada dia.
Renego dentes que não sejam teus.
São todas bocas;
Mas estão vazias.

Em Freud a alquimia de um desenganado, regenerado, ex-sovina de si,
Em títulos que não lhe deram nada,
Resumos em que não me vi.
Em livros que não geram sorrisos, amados, queridos,
Que até hoje preciso
Nem que fosse a sorrir sobre minha lápide.
Nem que fosse a cuspir...
Sobre os meus sorrisos.

Meus algozes, meus sonhos, meus santos,
Fotos que queimam, dizem tanto...
Anjos queridos, que não me atendem mais.

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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

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