segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ela e os icebergs




Sou tão pequeno frente ao berro, o cais,
Sou quase nada frente ao ar bravio...
Se for partir, adeus; só quero paz.
Não jogue gelo num frágil navio.

Se as paredes de tabaco pudessem dizer,
Se as memórias de morrer fossem contar
O quanto que o crescer pode nos doer,
O quanto quem perder pode ganhar.

E te dissessem rindo aquilo que senti,
E te mostrassem fotos ricas do sonhar.
Pode ser: A verdade está em mim.
Pode crer: Sempre está no seu lugar.

Se as montanhas do passado pudessem reter
As questões de hipocrisia que hoje fiz sanar.
Se uma máquina do tempo me trará você?
Que me traga... Ou me leve para outro lugar.
Gira mundo, porta aberta, meu raiar profundo,
Sou aquilo que um dia fiz pensar em ser.

Volta logo, vem depressa, tudo é tão vazio...
Só não atire os icebergs no frágil navio.

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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

Obrigado pelo incentivo de todos.