quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Minha trama




Vejo nessas linhas tortas, travessias tantas,
Que eu nem mesmo fiz...
Vejo e moldo a minha santa,
Minha reza manca, minha meretriz.
Falo que nem sei da boca...
Ando que nem sei dos pés...
Papo de cabeça oca;
Tramas de não sei quem és.

Tomo ao caule, compulsivo,
Este monólito que é o meu pensar;
Na raiz de um decidido,
Só não abdico de o ar respirar.
Sem as flores, primaveras,
Arcos que entrelaçam mar...
Selvas rudes, poesias,
Mortas sobre o mesmo altar.

Quero os olhos de verão,
Trazendo na estação: Calor de refrescar!
Quero ser a sensação de quem caiu no chão
Depois tomou os céus!
Quero que as palavras voltem;
Todas pra me resgatar...
Quero ser a vida viva:
Quero mais que o relembrar.


(Parte do livro a ser lançado em janeiro "Visões comuns de um porco esquartejado")

0 comentários:

Postar um comentário

Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

Obrigado pelo incentivo de todos.