sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Trechos de um livro em andamento II


Mais trechos de um livro inédito que me absorveu nos últimos dias.


Parte do texto de abertura do livro A Arte da Invisibilidade (inédito de Allan Pitz)

De repente, a solidão faz com que nos brotem filosofia, universos paralelos, minimalismos, detalhes inéditos. Olhei as árvores todas no caminho de volta, tive vontade de descer e ir ao zoológico, andar mais, respirar fundo! Olhei os rostos, e as mãos, e as orelhas, os olhos. O ser humano não precisa mais do que ele já é...
Somos esse mar de gente andando e andando; com medo, com fé, coragem, fibra, ódio, amor... E eu queria me desculpar com eles, com o mundo, por não estar todos os dias no sol escaldante (ou na chuva), andando para trabalhar, gastando como um homem normal a puta sola do tênis barato... Queria me desculpar pela ausência do mundo, mas, no entanto, consigo ouvir claramente quando o Mundo exige de mim a ausência, ou a introspecção para serví-lo, agora.



Parte do terceiro capítulo

Talvez minha cabeça seja mesmo uma droga dum rapapé. Um balaio esquisito, criado pela esquisitice torta que é a minha vida, o retrato “Frankensteinizado” de meus pensamentos recortados em explosões. Nem eu entendo... Aliás, entendo sim, é uma mente fantasiosa que gosta de mostrar que é melhor do que eu. Mas ela é a minha mente. Então, eu sou melhor do que ela, por possuí-la em mim. Mesmo que ela seja melhor do que eu, quando me possui preso em suas células mentais.



Parte do sexto capítulo

A primeira regra para sobreviver na unidade social vigente é: dinheiro. Sem dinheiro não acontece nada. Então, para isto, até os pensamentos devem ser condicionados em valerem ou não valerem algum dinheiro. Você não deve pensar em coisas que não gerem lucros, pois o lucro abastado é o primeiro cartão de visita num mundo onde tudo tem um preço. Você precisa de dinheiro, até mesmo para optar em não ter dinheiro um dia, caso queira. Mas você decididamente precisa e precisará de dinheiro. Para qualquer situação da vida em nossa sociedade. Pense bem: dinheiro. Quando você não pensou nele, ou em algo que, sem ele, não seria possível realizar ou possuir?

2 comentários:

  1. O livro inteiro está filosófico (até demais), Christian, tenho medo (risos). Mas de tudo que eu escrevi, e escrevo, esse livro vai te agradar bem pela explosão de pensares sinceros sobre o mundo.

    Um abraço.

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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

Obrigado pelo incentivo de todos.