quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Morte do Cozinheiro



A Morte do Cozinheiro
Gênero: Romance Ficção
Autor: Allan Pitz
Páginas: 80
Editora: Above Publicações

A Morte do Cozinheiro é o meu primeiro romance-ficção, e o primeiro livro de minha autoria com distribuição no Brasil. Meu orgulho maior, nesse trabalho em questão, foi a composição dos personagens, a visão distorcida do protagonista, e o ritmo alucinado que recorta e reúne a trama desde o início (vai numa leitura só). Ciúme machista, psicose, egoísmo, depressão, derrota exaltada, esse é o universo nublado de Luiz Aurélio, esse é o ponto chave para a história mais original e esquizofrênica de 2010.

"Nesse livro em especial não me prendi a nada; fiz como fazia nos palcos: montei um personagem e deixei fluir tudo na sua sintonia. O protagonista, Luiz Aurélio, encontra-se num estado de perturbação mental contínuo: não existe mais verdade ou ilusão; existe a sua realidade tragicômica tosca de perdas super valorizadas e ciúmes."


Apresentação:

É verdade, eu matei o cozinheiro. Em momento algum deste livro negarei que matei o sórdido cozinheiro com minhas próprias mãos de escrever versos. Havia motivo claro em saciar-se com a sua morte, morte de quem por carne e gozo objetou-se ao incomensurável amor que me tornava tão puro. Eu estripei-o com suas facas imundas de trabalho banal, e escalpelei por mimo infantil, de criança brincalhona, ao ver os índios e escalpes na TV. Matei o demônio com noventa facadas, cultivando um novo demônio sanguinário em mim, portanto não negarei ter feito a coisa mais maravilhosa que eu poderia fazer por minha inconsequência gloriosa naquele momento: Eu matei o cozinheiro.


O livro já está sendo vendido nos seguintes pontos do RJ:

Livraria Solário. Rua Sete de setembro, 169 - Centro
Rua Da Carioca, 33 lj - Centro

Bistrô CD. Rua da Quitanda, 3 Lj B - Centro

Em breve estarei divulgando os links para compra do livro em livrarias on line, e demais pontos de venda que ainda estão sendo negociados.

http://www.skoob.com.br/livro/sobre/100183/a+morte+do/A_MORTE_DO_COZINHEIRO
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DOIS DIAS DE AVENTURA!




(O médico examina sério alguns exames) - Felisberto, o senhor tem apenas mais dois dias de vida.
- Dois?!
E assim Felisberto deixou o consultório, levando abafado no peito seus últimos dias de vida, suas poucas horas de respirar.

- Helena, vamos à Pedra da Gávea?
- Ihh... Fala logo o que o médico te disse, anda.
- Nada demais, estou ótimo! Vamos ou não?
- Não sei não... O que você quer fazer na Pedra da gávea?
- Ué! Não te parece óbvio?! Quero saltar de Asa Delta!
- De Asa Delta? Felisberto; você é Acrofóbico!
- Que se dane a Acrofobia! Cansei dela... Vai comigo ou não?
- Ai Felisberto... Você não é mais nenhum brotinho, cinquenta e cinco anos já é bagagem... O que esse médico te disse, afinal?
- Pro diabo com esse médico! Ele disse que queria me fazer mudança de sexo, foi isso; e eu quase fiz! Vamos ou não vamos?!
- Não vou a lugar nenhum se não te reconhecer.
- Me reconhecer, Helena?! Em trinta anos ainda não deu pra ser apresentado num todo?! Pro diabo! Então vou pular daquela pedra ordinária sozinho! Depois vou pular de bungee jump! E sei lá mais o quê, o que me der na telha!
- O que esse médico te disse, Felisberto...? Chega de rebeldia, fala logo o que te deixou assim; o que foi?
- Uma bolada! Uma bolada nas bolas me deixou assim! E agora você está martelando as pobrezinhas novamente. Eu só quero dois dias de aventura! Caramba... Eu trabalhei minha vida inteira sentado numa bosta de cadeira, recebendo ordem de tudo que é gentalha detestável, chega! Preciso desses dois dias de aventura! Agente pode até transar em público.
- Em público?!
- Na praia! No cinema, na Asa Delta, no bungee jump! Quero enlouquecer com você nos próximos dois dias! Vem comigo ou não?!
- Bom, eu não sei se quero fazer as coisas dessa for... (toque estridente de celular)
O celular de Felisberto toca. Quando ele atende fica surpreso em receber telefonema do médico com quem se consultara pouco antes, contudo não esboça qualquer reação para análise de Helena. Ouve calado, respondendo com esporádicos "sim, sim". Desliga sem dizer nada; senta na velha poltrona de sempre; retira os sapatos, as meias, e pede à mulher, que assiste curiosa em silêncio, uma fiel latinha de cerveja.

- Cerveja? Você tá doido?! Quem era no telefone?!
- O médico.
- O que ele ainda queria com você?
- Dizer que eu sou mesmo acrofóbico. Pode trazer a cerveja?
-???????????!! (Pensamento: Melhor eu trazer a maldita cerveja antes que ele morda o meu carpete novinho).



(Parte integrante do livro "Confetes no Funeral")
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terça-feira, 13 de abril de 2010

Duas Doses e Um Bungee Jump

Recentemente, tive o prazer de publicar um livro de poemas em Portugal, o "Duas Doses e Um Bungee Jump", da World Art Friends, comunidade selo da Corpos Editora. Nessa foto estou no salão reservado do Restaurante La Mole, no bairro da Tijuca, onde fizemos uma pequena noite de lançamento com outros autores brasileiros da mesma editora. O fato é que, apesar da felicidade de ter um livro publicado, inda mais na Europa, penso que esse trabalho está longe de cumprir seu objetivo principal. Quando escrevi o "Duas Doses", no final de 2007, havia ocorrido a ingênua descoberta de que o gênero poema não seria somente um emaranhado de cenas lindíssimas recortadas, ou detestáveis lamúrias arrastadas em labirintos carnais, coisa que me afastava precocemente do gênero, mas sim um fragmento gramático do sentimento humano, podendo ser erguido sobre milhões de aspectos diferentes, e jamais poderia ser julgado antes de um profundo entendimento analítico.

Então, me senti, naquele momento, obrigado a compartilhar desse entendimento novo que me expandiu interiormente, e decidi escrever um livro que servisse de “aquecimento poético” para outras leituras mais intensas, carregadas, seduzindo novos leitores para um gênero simples e compreensível; leitores como eu, que achavam poetas e poemas uma grande bobagem estética (mil perdões).

Devo muito desse livro ao meu bairro, devo muito desse trabalho ao subúrbio carioca, devo principalmente por toda a inspiração. Estavam nas cabeças não poéticas, nas mãos vazias, as forças novas que somei para tentar inspirar o povo, reaproximar o poema de forma simples, despretensiosa, fazendo-os berrar as notas de seus significados tolos ou ricos, e só. Imaginava esse trabalho ajudando num novo processo de reapresentação poética do agora, sei lá, utopia por fim; mas eu imaginava esse livro pelo Brasil num bolso surrado de calça jeans, numa mochila remendada de escola, num macacão de operário... Ilusão, claro, combustível que sempre move os poetas, a ilusão de que, sentados em doces sonhos, abriremos facilmente o mar vermelho.

Estou lá (com muito orgulho); escrevi daqui; e poderei um dia dizer que tentei, sem armas letais, mudar o giro das coisas ruins que se apresentaram; tive vontade de mudar. Obrigado, meu subúrbio tão maltratado, obrigado, favela que salta aos olhos no horizonte, obrigado por fazer espelho em um garoto simples, amigo de futebol e sinuca, filho da terra, para poder chegar tão longe levando um pedacinho esperançoso de cada um de vocês que, involuntariamente ou não, ajudaram a construir o Allan Pitz escritor.

Trocaremos qualquer arma por sorrisos. As águas serão apenas amigas.

(Dedico esse livro a todas as vítimas das enchentes do Rio de Janeiro, minha cidade. Deus está olhando por nós.)


Dois poemas do livro:

HOJE NÃO AMO

Hoje não amo.
Mas amei muito,
Amei tanto que a alma ainda dói.

Hoje não choro.
Ontem chorava,
Chorei tanto que inundei o raciocínio.

Hoje não odeio.
Noutro dia odiava!
Foi tanto ódio, que rasgou no meu umbigo.

Hoje entendo;
Antigamente ensinava.
Hoje recuo;
Quando primeiro atacava.
Hoje sou chuva;
Mas não me dobro por água.
Hoje sou nada...
Aprendendo ser tudo.
Um tudo;
Compreendendo a grandeza do nada.

Hoje não amo.
Mas amei muito...
Amei tanto que a alma ainda dói!



FOLHA DE GELO

Refletido em raios na folha
Abraçado por camada de gelo fino,
Fez o Sol um aparecer de gala
Esbaldando a grama seca em sorriso.

E no calor dos galhos antes secos
Emoldurado em gigantesco vazio,
Reaparecem lentas verdes folhas
Comemorando não sentir mais frio.

Seremos tolos se só formos gelo,
Mais tolo ainda quem viver de fogo.
Dividiremos as regras do jogo;
Balanceando quando for preciso.

Pergunto ao caule sobre a solidão,
Revendo o galho antes tão sozinho...
Eu sendo fruto que não quer colheita,
Sou folha seca com gelo fininho.




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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

Obrigado pelo incentivo de todos.