terça-feira, 19 de julho de 2011

Um riacho qualquer



Passa um riacho na frente da casa...
Um casebre de nada,
casebre de teto furado, enfeitado de cacto,
enfeitado de urtigas.
Mas passa um riacho na frente da casa.
A vida corre e sorri ao seu humilde dono,
que agradece e aceita alguns peixes.
Aceita uns goles fartos de água,
aceita os bons dias e as boas noites,
o espelho que o riacho faz da lua.

É claro, às vezes, o homem que vive ali sozinho
sonha com uma casa melhor...
Ele é humano... Sente frio, fome, sente dor, tem os seus desejos...
Mas, quando ele pensa que o mundo de lá
está mandando seu recado iminente,
e deve provar que é grande para toda a gente,
ele se lembra de que o riacho apenas passa,
só, sempre
acenando à porta de sua casa...
E ele ali fica, acompanhando a mágica das águas
que passam, acenam, e trazem mais vida ao seu lugar.
No fim, as águas o fazem perceber:
Que a facilidade da vida é o inverso
de tentar provar que se vive.



(do livro de poemas inéditos "Aceite as Flores Carnívoras de um Neandertal")

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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

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