sábado, 26 de fevereiro de 2011

Lojinha de E-books!

Uma boa notícia para os meus leitores:


A Editora Livro Novo firmou parceria com a maior revendedora de e-books do Brasil, a Gato Sabido (pertencente ao grupo de vendas online Submarino), e agora meus dois livros A Fuga das Amebas Selvagens e Um Peixe de Calças Jeans estão disponíveis também no formato e-book, e com preços bem acessíveis.

O formato eletrônico de livros vem ganhando bastante destaque no mercado de livros atual, principalmente no que diz respeito à questão ambiental do uso excessivo de papel, e na praticidade do manuseio eletrônico. Há quem diga que o e-book é o caminho natural para substituir o livro de papel, e o assunto segue gerando prolongados debates... Sendo assim ou não, o autor deve sempre tentar acompanhar o leitor, e permitir que seus livros cheguem até ele; essa parece ser a melhor definição para o fenômeno do livro digital: Ser mais uma ferramenta útil de aproximação, e integração entre o leitor e o livro.






















www.gatosabido.com.br




O livro Duas Doses e Um Bungee Jump (Poemas), apenas vendido em Portugal pela WAF, também foi disponibilizado para todos em formato eletrônico.
Leia Mais ►

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Entrevista com Allan Pitz

Entrevista recente para o Blog Doce Encanto. Em breve terei assessoria especializada para organizar melhor o meu material. Colocaremos tudo aqui no Paquidermes!


Allan Pitz, escritor multifacetado (metido a escrever vários gêneros) e diretor teatral carioca. Autor de cinco livros publicados nos últimos dois anos; selecionado em mais de 35 Antologias e Prêmios Culturais.


Allan, o que fez você querer ser escritor?
Ah, sem dúvida alguma foi para montar o meu próprio show cerebral! As histórias já escapuliam dos palcos, já escapuliam da boca, era necessário escrever. Sinto uma necessidade maior de escrever. Existem milhões de ‘dimensões’ entre o real e o louco para serem narradas. Milhões de reflexões para serem exploradas.

Desde quando você escreve?
Escrevo desde sempre, mas querendo ser lido por vocês: há cinco anos. É preciso merecer isso.

O seu livro A morte do cozinheiro, é pura doidera!! Nele você evidencia toda a loucura que o ser humano é capaz de atingir quando tem seu emocional abalado. O livro teve uma ótima repercussão, da onde surgiu toda essa maluquice da história?
Pois é, e acabou superando as minhas expectativas! Talvez, o meu emocional estivesse suficientemente abalado para escrever A Morte do Cozinheiro; mas não como no livro.
Porém, foram pensamentos tão amargos e insólitos que me renderam esta brincadeira maluca de amor doente. O ser humano pode enlouquecer por “amor”, a imprensa policial é a maior testemunha. A Morte do Cozinheiro reflete o amor virando psicose, e se desenvolve por dentro (na turbulência) do futuro assassino passional.

Você é um grande escritor, tem vários livros publicados e um de seus últimos trabalhos - Um peixe de calça jeans - já está entre o mais vendidos da Editora Livro Novo.
Foi muito difícil chegar onde está? Você esperava por isso?
Bem, te agradeço imensamente pelo grande escritor, mas meu caminho ainda é longo para conseguir ser um dos grandes... Cada livro lançado é uma conquista, uma aventura para publicar e vender. Tudo é incerto para o novo escritor brasileiro. Uma luta constante...
O peixinho jeans é simples, é um antídoto contra a violência em forma de palavras, e muitos pais resolveram arriscar no livro para seus filhos. Eu não esperava, sinceramente, mas o leitor está sendo muito generoso comigo. Estamos nos aproximando cada vez mais.

Falando em Um Peixe de Calças Jeans... o livro trata de um tema muito atual e bem sério que é o bullying escolar. Foi complicado escrever o livro? Você teve que fazer muita pesquisa a respeito do assunto antes de escrevê-lo?
Foram muitas pesquisas para escrever o peixinho. Queria um projeto que conseguisse efeitos mais rápidos no combate ao bullying, e na faixa etária onde tudo começa: entre cinco e nove anos.
Utilizei-me de estudos sobre a teoria subconsciente de Dr. Joseph Murphy, do movimento Satyagraha de Gandhi, da minha própria experiência com o bullying escolar sofrido na infância. Foi um processo difícil, mas prazeroso. O objetivo é nobre.

Dentre seus trabalhos, você tem algum preferido?
Gosto muito do Estação Jugular – Uma Estrada para Van Gogh, ver sua publicação nos próximos meses será uma vitória!
Acredito que os leitores de hoje querem embarcar numa viagem sem precedentes; essa é a proposta do meu livro. Vamos embarcar!

Quais são suas inspirações para escrever?
A vida dos outros, a minha vida, a rua... Os jornais, os pensamentos da madrugada, os livros, os textos que leio... Sonhos, pesadelos... Gosto de captar as energias que flutuam sobre nossas cabeças.

Você tem algum autor ou livro preferido?
Gosto de tudo do Bukowski, do Henry Miller, Dalton Trevisan, Carlos Drummond, Nelson Rodrigues, Plinio Marcos... São os autores que mais li até hoje.

Qual seu maior sonho?? (essa foi profunda! hahaha)
Humm... O que poderia ser... Viver de livros (acredite: essa também foi profunda, até os editores mandam você ter outra profissão paralela)!

Para quem está começando a jornada de escritor, quais são suas dicas?
Aqui vai: Meu amigo (a), você está realmente disposto a sentar numa cadeira e doar boa parte de seu tempo de vida (lendo e escrevendo)? Então, ok. Mas vá com calma, se você não tem capital de investimento vá com mais calma ainda. Tente não se cobrar demais, não espere que todo livro novo vire um sucesso imediato; siga escrevendo. E trate os editores sempre com muito respeito, espere o momento de agir sem ansiedade (não revele coisas como: estou preocupado, ansioso), tenha cuidado com as palavras... No mais: escreva, escreva, e escreva mais um pouco. Depois leia em dobro. Revise, corrija. Nunca envie um original para as editoras sem uma revisão profissional. Participe de Prêmios e Antologias. Não desista nem perca a fé; o nosso país precisa do seu sonho para poder sonhar.

Boa sorte!

Como as pessoas podem adquirir seus livros?
A Fuga das Amebas Selvagens (contos, piadas, cenas para teatro) e Um Peixe de Calças Jeans (infantil anti-bullying) são vendidos no site da Editora Livro Novo, que dispõe também dos formatos e-book.

Duas Doses e um Bungee Jump (poemas) é vendido no site da Editora WAF – World Art Friends – Portugal. Apesar dos valores em Euro, a versão e-book é bem acessível.

Visões Comuns de um Porco Esquartejado precisa de uma nova edição para ser comercializado, e A Morte do Cozinheiro também esgotou, podendo ser encontrado somente em algumas livrarias do Sudeste, no site Estante Virtual, e no site da Tarja Livros.


Bom Allan, é isso. Tem alguma mensagem que quer deixar aos seus leitores e aos do Doce Encanto?
Leiam, meus amigos! No blog, no site, na revista, nos livros, no jornal; leiam e leiam mais! Esse é o melhor remédio para a expansão da mente. E não se esqueçam de garimpar os novos livros nacionais!


Rapidinhas:
Um autor: Bukowski (estrangeiro) e Carlos Drummond (nacional)
Um livro: O Capitão saiu para o almoço e os Marinheiros tomaram conta do navio (Bukowski) e Contos de Aprendiz (Carlos Drummond)
Um momento: O agora
Uma música: Muitas dos anos 80!
Uma pessoa: Mahatma Gandhi
Uma frase: “Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura.” - Charles Bukowski.
Um desejo: Em um momento tipicamente Miss Universo, poderia citar A Paz Mundial!


DOCEENCANTO.BLOGSPOT.COM
Leia Mais ►

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um Paraíso Baleado Perdido em Qualquer Inferno



Conto de Allan Pitz


A saleta de minha casa, onde eu tento viver e trabalhar, é sempre uma zona de guerra permanente. Papéis amontoados sobre os móveis; livros por toda parte; copos sujos com restos de bebidas; cinzeiros entulhados com guimbas de cigarro...

Na internet, consigo descolar boas rádios de jazz ou rock clássico, o que me ajuda na inspiração para escrever. Mas, escrever o quê? O de sempre: perdedores, desventurados, cornos, assassinos, idiotas, mulheres enigmáticas, loucos... Deve ser a busca para encontrar um cara mais idiota do que eu, uma história melhor do que a minha; não deve ser tão difícil assim. Já encontrei alguns burros legais, mas sempre eram menos imbecis, ao final, se fossem bem avaliados. Levaram a faculdade a sério, seguiram alguma carreira, focaram em algo socialmente concreto. Eu, não... Primeiro foi o teatro, depois os textos, os poemas, os romances... Sempre fui ligado a essa droga artística toda; esse encosto ferrado, travestido de fantasia; não há como fugir de quem você é. Por isso, os bolsos estão sempre vazios. Pagar as contas, o cigarro, o vinho: é quase um milagre... Uma utopia...

Tento escrever à uma hora da manhã neste calor carioca infernal. Lá fora, os tiros pipocam numa favela próxima. Os cachorros volta e meia armam um escândalo daqueles. Os tiros, por pouco, quase matam a loira gostosa sentada no meu sofá; eu estava escrevendo sobre ela, inda há pouco. A garota não existe – infelizmente -, mas está ali, agora, me olhando safada entre os Trópicos de Henry Miller, atiçando no vestidinho vermelho, toda boa, ao mesmo tempo em que escrevo e penso sobre ela.

Basta criar um poema para tudo parecer melhor; um rabisco de luz e tudo pode se transformar em paz de espírito, em melodia, sensação; uma letra é o sol, nesse caso... Deve ser isso aí mesmo. Escrevo do inferno, é verdade; mas não são cartas endereçadas ao diabo. São cartas de sonhos que, talvez, cheguem ao céu, que não verei daqui.

Finalmente, abro minha caixa de mensagens pela última vez no dia, tentando não ser ansioso com as respostas que espero, porém não quis ver antes. Lá está o maldito e-mail que eu não queria ler:

“Caro Matheus Fritz,

Seu texto é radical e incoerente, e sua postura alienada como autor dos fatos narrados nos pareceu ‘tipicamente adolescente’. Mediante esses argumentos, torna-se inviável a publicação de seu livro pela nossa editora.”

- Mais uma recusa - pensei. - dane-se; não é só por eles.

A loira gostosa sumiu, o vinho acabou. Amanhã é outra história.
Leia Mais ►

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Livro ensina geeks e nerds a cozinhar

Tão louco que merece matéria...



SÃO PAULO - Miojo, pipoca de micro-ondas, pizza, sanduíche, salgadinho, muito café e muito refrigerante. Se esse é o seu cardápio básico e você sente orgulho por não pisar na cozinha, saiba que há uma nova geração de geeks que pensa justamente o contrário.

Projetar, testar, experimentar, errar e aperfeiçoar - os verbos mais conjugados por todos os tipos de programadores e profissionais de tecnologia - são as regras básicas para cozinhar bem e ser mais saudável. É o que tenta provar o cozinheiro por hobby e desenvolvedor de software por formação Jeff Potter, no seu recém-lançado livro Cooking for Geeks: Real Science, Great Hacks, and Good Food (Culinária para Geeks - Ciência, Hacks e Boa Comida, ainda sem versão em português).

Além de testar e dominar receitas malucas, como o bolo assado em 30 segundos, e ensinar a cozinhar alimentos usando nitrogênio líquido, Potter entrevistou personalidades do mundo nerd. Ele criou um cardápio baseado no cenário mais comum para quem vive envolto por códigos e máquinas e tem pouco tempo, pouco dinheiro e muita preguiça. "Meu desejo é fazer com que as pessoas gastem mais tempo prestando atenção em como comer, em vez de apenas agarrar o primeiro pacote de batata chips que aparecer na frente", disse Jeff Potter à INFO. Para ele, quem cozinha tem melhor saúde. "Fazer sua própria comida é uma maneira de ter total controle sobre o tipo de substância que você coloca dentro do seu corpo", diz.

Notícia INFO EXAME
Leia Mais ►

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Os 100 Livros Brasileiros do Século XX



1.Novelas Paulistanas: Brás, Bexiga e Barra Funda - Antonio de Alcântara Machado
2.A Rosa do Povo - Carlos Drummond de Andrade
3.O Tempo e o Vento - Érico Veríssimo
4.Vidas Secas - Graciliano Ramos
5.Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
6.Invenção de Orfeu - Jorge de Lima
7.Libertinagem - Manuel Bandeira
8.Macunaíma: O Herói sem Nenhum Caráter - Mário de Andrade
9.Reinações de Narizinho - Monteiro Lobato
10.Poesia Liberdade - Murilo Mendes
11.Dom Casmurro - Machado de Assis
12.Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
13.Memórias Sentimentais de João Miramar - Oswald de Andrade
14.Morte e Vida Severina - João Cabral de Mello Neto
15.A Hora da Estrela - Clarice Lispector
16.Gabriela, Cravo e Canela - Jorge Amado
17.Crônicas da Casa Assassinada - Lúcio Cardoso
18.Os Sertões - Euclides da Cunha
19.O Ex-Mágico - Murilo Rubião
20.O Vampiro de Curitiba - Dalton Trevisan
21.Os Cavalinhos de Platiplanto - J.J. Veiga
22.A Coleira do Cão - Rubem Fonseca
23.Ópera dos Mortos - Autran Dourado
24.A Lua vem da Ásia - Campos de Carvalho
25.Histórias do Desencontro - Lygia Fagundes Telles
26.Canaã - Graça Aranha
27.A Menina Morta - Cornélio Penna
28.A Luta Corporal - Ferreira Gullar
29.O Conde e o Passarinho - Rubem Braga
30.Baú de Ossos - Pedro Nava
31.Jeremias sem Chorar - Cassiano Ricardo
32.Faróis - Cruz e Souza
33.Vestido de Noiva - Nelson Rodrigues
34.O Pagador de Promessa - Dias Gomes
35.Navalha na Carne - Plínio Marcos
36.A Moratória - Jorge Andrade
37.Mar Absoluto - Cecília Meireles
38.O Dialeto Caipira - Amadeu Amaral
39.Princípios de Lingüística Geral - Joaquim Matoso Câmara Júnior
40. A Unidade da România Ocidental - Theodoro Henrique Maurer Jr
41. Línguas Brasileiras: para o Conhecimento das Línguas Indígenas - Aryon DallIgna Rodrigues 42.Princípios da Economia Monetária - Eugênio Gudin
43.Inflação: Gradualismo e Tratamento de Choque - Mário Henrique Simonsen
44.Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro - Maria da
Conceição Tavares
45.A Inflação Brasileira - Ignácio Rangel
46.Quinze Anos de Política Econômica - Carlos Lessa
47.A Economia Brasileira em Marcha Forçada - Antônio Barros de Castro e
Francisco Eduardo Pires de Souza
48.História Econômica do Brasil, 1500-1808 - Roberto Cochrane Simonsen
49.Desenvolvimento Econômico e Evolução Urbana - Paul Singer
50.A Lanterna na Popa: Memórias - Roberto Campos
51.Tratado de Direito Privado - Pontes de Miranda
52.Código Civil dos Estados Unidos dos Brasil - Comentado - Clóvis
Bevilacqua
53.A Cultura Brasileira: Introdução ao Estudo da Cultura no Brasil -
Fernando de Azevedo
54.Educação para a Democracia: Introdução à Adm. Educ. - Anísio Spinola
Teixeira
55.Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
56.História da Educação no Brasil - Otaíza Oliveira Romanelli
57.A Criança Problema - Arthur Ramos
58.José Bonifácio: História dos Fundadores do Império do Brasil - Octávio
Tarquínio de Sousa
59.Capítulos da História Colonial - 1500 - 1800 - João Capistrano de Abreu
60.Evolução Política do Brasil e outros Estudos - Caio Prado Jr.
61.Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado
62.Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Hollanda
63.Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial - Fernando A.
Novais
64.Da Senzala à Colônia - Emília Viotti da Costa
65.Os Donos do Poder. Formação do Patronato Político Brasileiro - Raymundo
Faoro
66.Olinda Restaurada - Guerra e Açúcar no Nordeste - 1630/1654 - Evaldo
Cabral de Mello
67.O Escravismo Colonial - Jacob Gorender
68.A Integração do Negro na Sociedade de Classes - Florestan Fernandes
69.Casa Grande & Senzala - Gilberto Freyre
70.Formação da Literatura Brasileira - Antônio Cândido
71.A Terra e o Homem no Nordeste - Manoel Correia de Andrade
72.O Colapso do Populismo no Brasil - Octávio Ianni
73.Populações Meridionais do Brasil: Hist. Org. Psicolog. - Oliveira
Vianna
74.Teoria da História do Brasil - José Honório Rodrigues
75.Formação Histórica da Nacionalidade Brasileira - Manoel de Oliveira
Lima
76.O Espaço Dividido, os dois circuitos da economia urbana dos países
subdesenvolvidos - Milton Santos
77.Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional - Fernando Henrique
Cardoso
78.Aldeamentos Paulistas - Pasquale Petrone
79.O Messianismo no Brasil e no Mundo - Maria Isaura Pereira Queiroz
80.Os Africanos no Brasil - Nina Rodrigues
81.Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira - Herbert Baldus
82.Tradição e Transição em uma Cultura Rural do Brasil - Emílio Willems
83.Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani - Egon Schaden
84.Estudos Afro-Brasileiros - Roger Bastide
85.Povoamento da Cidade de Salvador - Thales de Azevedo
86.Os Índios e a Civilização - A Integração das Populações Indígenas no
Brasil Moderno - Darcy Ribeiro
87.O índio e o Mundo dos Brancos. A situação dos Tukuma dos Altos
Solimões - Roberto Cardoso de
Oliveira
88.Bahia: A Cidade do Salvador e seu Mercado no Século XIX - Kátia M. de
Queirós Mattoso
89.O Brasil Nação. Realidade da Soberania Brasileira - Manoel Bomfim
90.A Organização Social - Alberto Torres
91.Contribuição à História das Idéias no Brasil - João Cruz Costa
92.Consciência e Realidade Social - Álvaro Vieira Pinto
93.Estudos de Literatura Brasileira - José Veríssimo
94.Construções Civis: Curso Professorado na Escola Politécnica de São
Paulo - Alexandre Albuquerque
95.Cálculo de Concreto Armado - Telemaco Van Langendonck / Associação
Brasileira de Cimento Portland,
1944-1950
96.Sobre Arquitetura - Lúcio Costa
97.Dicionário de Arquitetura Brasileira - Eduardo Corono e Carlos Lemos
98.Dicionário das Artes Plásticas no Brasil - Roberto Pontual
99.História Geral da Arte no Brasil - Walter Zanini
100.Histologia Básica - Luis Carlos Uchoa Junqueira e Jose Carneiro.


Votação promovida pela CBL em 1999
Leia Mais ►

Inscrições abertas para o 1º Prêmio Literatura Nacional




O Fórum de Escritores abre inscrições para o 1º Prêmio Literatura Nacional nas categorias: Melhor Livro de Contos, Melhor Livro de Poesia e melhor Livro de Romance. A premiação completa inclui: R$ 3 mil em dinheiro, um contrato de edição de 5 mil exemplares com a editora Lítero Editorial, além de um contrato de 3 anos com uma Agência Literária. Há uma taxa de inscrição de R$ 55 por obra.

Premiação
3.000,00 em dinheiro
5.000 exemplares a 30% de Direitos Autorais pela Lítero Editorial
Edição eletrônica e venda ilimitada a 80% de Direitos Autorais
Contrato de 3 anos com a Agência Literária AgL

Para cada vencedor nas categorias

Livro de Contos ¤ Livro de Poesia ¤ Livro de Romance

Troféu Caneta Maior

Oferecido a um dos vencedores em consideração à atuação literária ao longo do ano...

Para participar:
http://www.literaturanacional.org/
Leia Mais ►

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Paquidermes no Teatro: Cousa de Mulher

Recomendação Paquidermes (imperdível)!






Sobre o Espetáculo

Uma análise sobre a mulher contemporânea e suas tantas vertentes.
O texto é assinado pelo humorista Anderson Oliveira (autor do sucesso Até que a Sogra nos Separe), baseado no romance “O Nome da Cousa” da escritora paulistana Fal Azevedo, o espetáculo investe numa linguagem dinâmica e divertida para retratar as experiências descritas no texto de “Fal”.

A narrativa caminha sobre os mundos distintos de três mulheres que se conhecem desde a adolescência. Paola é uma solteira convicta que tem como conceito principal não seguir nenhum conceito, Ana uma conservadora casada que vê sua vida se transformar com o fracasso de seu casamento e Lia uma alpinista social perdida entre seus objetivos de carreira e a falta de um relacionamento sincero. Será que no desenrolar dessa história essas mulheres conseguirão aprender com suas próprias experiências, como viver, amar e ser feliz?

‘’Uma trama com ações simultâneas em tempos diferentes”, diz Anderson Oliveira.

A partir do encontro de Ana, Paola e Lia, o passado próximo e os acontecimentos marcantes vão sendo reconstituídos, revelando o cotidiano insatisfatório de cada mundo particular dessas mulheres. Os pontos de vista vão servindo de ponto da partida para as reviravoltas de cada uma. O que aconteceria se Ana e seu casamento certinho vivesse sem limites como Paola ou compreendesse a habilidade de Lia em tornar favoráveis a ela quase todas as situações?

A trama conta também com um ator que se divide em vários personagens masculinos diferentes que transitam pelo universo de Ana, Paola e Lia, uma sátira ao dito popular ‘’Homens são todos iguais’’.

Deliciosamente recheado com o que há de melhor no universo da escritora Fal Azevedo, o espetáculo fala de dor, da forma mais divertida. Um prêmio ao universo literário brasileiro, Fal Azevedo transforma o que há de mais trivial em rara transcendência filosófica – ou vice e versa?!

Sobre as mulheres e suas “cousas”, suas pequenas aflições, grandes contradições, os sustos, o que se escuta no escuro, as amigas de bar, o que fragmenta suas almas e principalmente o que aconchega seus corações.



Terças e Quartas às 21h (Fevereiro e Março) no Teatro Ipanema.

Ficha Técnica:

Elenco: Fernanda Zau, Barbara Fornarolli, Malu Rossi e Victor Rosalen.
Produção: Fernanda Zau e Barbara Fornarolli
Texto e Direção: Anderson Oliveira
Supervisão de Produção: ArteNoTom
Programação Visual: Felipe Nogueira


http://cousademulher.com.br
Leia Mais ►

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Um Café Forte, um Ringue, e uma Pancada no Queixo


Eram oito horas e trinta minutos da manhã, estava passando um café forte para acordar; pensava em ganhar algum dinheiro quando o telefone tocou.

- Alô.

- Joel Montanha, o lutador? - quis saber o cara.

- Não, Joel Lucas, o “poeteiro” sem grana - eu disse.

- Ah, caceta, me falaram que você era um pugilista peso pesado dos bons!

- Sim, há dez anos mal vividos, depois disso muita água passou por debaixo da ponte. Acho que a agenda telefônica de vocês está ferrada. Deve ser Alzheimer...

- Mas, Joel, tu nunca mais lutou nada mesmo?

- Não, cara, só na rua... Umas brigas de galo manso, que não levam a nada... E ainda bato no meu saco de areia, mas...

- Já está ótimo assim! Só preciso de um cara para fazer sparring, nada demais. Três dias, trinta reais por dia, mais a passagem e a alimentação. O que me diz?

- Eu fumo cigarro, e...

- Ok, o meu atleta vive fumando às escondidas!

- Legal. Mas prefiro quarenta e cinco por dia, o que me diz?

- OK, campeão, ok...

- Agora me fala aí, por que não tem outro cara mais inteiro para fazer luvas com o seu lutador?

- Bem, o garoto é bom demais, sabe e, mesmo com proteção, ele, às vezes... Bem, ele... Acerta uns bons golpes. Entende?

- Os caras têm medo dele...?

- Não é medo; é; como eu posso te dizer...? Respeito!

- Sei, sei...

Laércio Grandão, o empresário do garoto de ouro que ganhara as últimas vinte lutas por nocaute nos primeiros assaltos, me passou o endereço e as coordenadas dos três dias de treino. Em quatro horas eu estaria trocando socos com um ex-detento da FEBEM, um garotão de 115 Kg, feito de pedra (contra meus 94 Kg feitos de massinha de modelar), com sangue nos olhos, batendo no mundo que o espancara com toda a força do abandono. Fantástico! Talvez uma boa surra me devolvesse aquela velha vontade de lutar por mim mesmo. Parecia uma boa.

Nunca fui um lutador medíocre; talvez, apenas mais um limitado; possuía uma pancada de direita milagrosa, disposta a me salvar de uma avalanche de socos mais ágeis, braços mais fortes. A guarda era sempre alta; as pernas duras; o queixo não era mole; dava pra aguentar pancadas firmes até eu soltar a marreta no oponente: um lenhador, batedor. Lento, porém mortal. Pego-me lembrando certas lutas amadoras em que o oponente era peso pesado de músculos, enquanto o meu peso pesado era de massa espalhada. Os lutadores (principalmente quando negros) dançavam pra lá e pra cá, socavam com uma velocidade incrível, soltavam mil jabs em poucos minutos, retirando minha opção de raciocínio. Então, eu não raciocinava. Entrava disposto a esperar o momento certo para varrer o seu rosto com uma ou duas machadadas em forma de cruzados e diretos. Muitas vezes deu certo!

Uma vez na academia, altamente equipada, Laércio Grandão me recebeu com muita gentileza. Levou-me logo para longe do ringue, onde o garotão musculoso e tatuado (também com uma enorme cicatriz no pescoço) já me encarava feio. Deu-me uma bolsa azul com materiais novos para o treino.

- Esse moleque está vacinado? – perguntei ao Grandão, enquanto caminhávamos para o vestiário.

- Oh, sim, essa cara feia dele é normal. Ele tem raiva do mundo, mas é um cordeirinho na minha mão. O lance dele é ganhar dinheiro com Boxe; o meu também é. Se ele for cooperativo, posso ajudar.

- Entendo...

- O Barão passou poucas e boas no reformatório juvenil... Tinha de brigar até pra beber água e usar o banheiro. Cada mijada era um combate. Por isso, já é o campeão Sul-Americano dos Pesos Pesados.

- É... Na literatura é mais ou menos assim.

- Ah, meu amigo, você não sabe o que está dizendo!

- Nem você. Pode deixar, Grandão, avise quando o garoto estiver pronto para tentar me matar. Vou me aquecer aqui mesmo.

- Tudo bem. Em quinze minutos eu volto para chamar, ele só está terminando uma série.

- Beleza.

Por um segundo pensei: o que eu estou fazendo aqui? Não tenho condições físicas para cinco minutos de luvas com aquele monstrinho social. Eu deveria correr. É claro que deveria correr. Poderia, depois, escrever um poema sobre o lutador que desistiu definitivamente de lutar e fim de papo; ficaria tudo como história. Mas daí repensei e vi que, assim como o jovem sedento no ringue, eu também precisava liberar todo o meu ódio contido. E se não fosse esportivamente, como a situação permitia, poderia ser numa desgraça, como aquela vez em que um professor de boxe tailandês me cobriu de caneladas, equivocadamente, em um bloco carnavalesco. E, depois, eu quebrei − covardemente, é verdade − uma garrafa cheia de tequila em sua cabeça. Impressionante como muitos foliões não se incomodaram em sambar sobre uma poça de sangue alcoólico.

- Já está pronto? – perguntou-me Grandão na porta.

- Já, vamos ao abate.

- O cara me falou que você tem uma pegada boa.

- Pois é...

Agora, no ringue, frente a frente, dava para perceber a altura e as dimensões do Barão: as cicatrizes, a tatuagem ‘Jesus é Poder’. Era realmente um atleta do massacre. Iria destruir um poeta relaxado, fumante, e que vive abusando do álcool. Seria diversão pura.

Assim que começamos a luta, tentei soltar alguns jabs para provar que não era bobo, mas a distância dos golpes mostrava-se errada. Minhas pernas estavam mais duras do que nunca, as costas pareciam querer voltar para a cadeira de escrever. Então, o Barão começou a bater na plebe: UM, DOIS, TRÊS. UM, DOIS, TRÊS. Depois de dois minutos apanhando, passei a gostar de apanhar; considerei que a mão do garoto não era tão pesada assim. O mundo tinha mais peso na hora de bater. Era apenas rápido, valente, mas não um Deus.
TOMA! O primeiro golpe que eu encaixei. O moleque tonteou? Que diabos estão fazendo ultimamente com esse esporte?! Então, tome no queixo! E tome outra, e outra, e outra! E o campeão cai. Levanta-se assustado, logo depois, mas por um segundo sua boca de bueiro beijou a lona. A raiva dele já estava evaporando com o sucesso e a abdução de novidades, era só estampa. Minha fúria, sim, estava viva, e me tornava leve.

Após ele se levantar, entendi o porquê do cinturão. Foi uma sucessão de golpes, frente a frente, no meio do ringue, luta franca, até o infeliz acertar de jeito as minhas costelas cansadas. Então, eu caí. Fim de luta. O garotão aproveitou para se sentar no seu canto de cabeça baixa. Enquanto bebia bastante água, seu instrutor lhe confortava a nuca com uma toalha molhada. Eu falei, tentando me levantar devagar:

- Foram cinco minutos bem jogados, Barão.

- Foi sim - ele respondeu. - Você tem mãos de pedreiro.

- Só não quero mais lutar com você; hoje eu percebi uma coisa que me assustou um pouco.

- O quê?!

- Depois que me tornei escritor, aprendi a apanhar mais do que bater. Já não sirvo para lutar sem as palavras. Virei galinha morta. Sacou?

O Barão da FEBEM ficou conversando comigo durante meia hora, disse que gostava de ler poemas no reformatório, por serem pequenos e mais fáceis do que uma história inteira, sobretudo para quem ainda está começando a ler. Falou sobre a avó que o criara em uma favela; e as lutas, que começaram desde cedo. Depois, agradeceu pelo treino.

Grandão compreendeu a minha decisão de não fazer os outros dois treinos marcados, e mesmo assim me pagou 105 Reais, e um táxi para voltar com certo conforto.

- Por que tudo isso, Grandão?

- Ver um atleta acabado, bêbado, fodido, dar um cruzado daqueles no ensebado do Barão foi sensacional! Eu devia te dar o meu rabo se você quisesse. Depois desse susto, o merdinha vai ganhar o Mundial!

Filho da mãe (me conhecia desde o início)!... Barão e eu estávamos batendo no cara errado, afinal.



Leia Mais ►

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

7º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura 2011 – Inscrições


Estão abertas as inscrições para o 7º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura. O prêmio vai contemplar o escritor vencedor com R$ 150.000,00, um dos maiores prêmios da literatura brasileira.

A cidade de Passo Fundo (RS) é considerada a capital nacional da literatura e a premiação acontece desde 1999. O cantor Chico Buarque, que concorreu com o romance Budapeste, foi o vencedor da edição de 2005.

Nesta edição podem concorrer romances escritos em língua portuguesa, publicados entre junho de 2009 e 31 de maio de 2011. Cada escritor pode concorrer com apenas um romance. O resultado será anunciado no dia 22 de agosto de 2011, no Circo da Cultura, em Passo Fundo. Para participar é obrigatório entregar seis exemplares do mesmo romance.

Para obter todas as informações necessárias, acesse www.jornadadeliteratura.upf.br ou entre em contatos pelos telefones (54) 3311-5411 e 3316-8368.
Leia Mais ►

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

5 Poemas selecionados: Allan Pitz

Allan Pitz



Palhaçadas Tristes

Ninguém te vê quando esse pano cai
Enxugando o rosto triste das risadas,
Somente a máscara pintada tem
A força mestra dessas gargalhadas.
Sem o nariz pintado, o chapéu,
Sem a fajuta farda de labuta,
Sem essas horas que te trazem céu;
Sorvendo fel do riso à própria luta.

Ninguém te vê quando esse pano cai...
Só, enxugando o rosto das risadas.
Ninguém aplaude quando já não vê:
Jovem palhaço, triste, em poucas falas.

Isso tudo é grande palhaçada!
Sentimento que insiste:
Deus a fazer nossa estrada...
E o Diabo a pôr piche.




Chá de Arpoador
(Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 59 CBJE)

De repente cantando me vem
Uma história que eu queira contar
Na brisa que sopra no além
Do meu sonhar.

Placas com dizeres
E quereres
Não podem comprar
Panela velha, acento agudo, e computador.

Chás de repelente
Condizente com cada picar
De inseto agudo ou disco voador.

Gente, trepadeira,
Bagageiro que caiba levar
Todo o Arpoador.
Louco no poema
Rima em qualquer tema
Deixa fluir
Louca canção...

De repente cantando me vem
Algo bom que não possa acabar...
De repente o sonho faça além
Do que sonhar...




Abatedouro da Fome

Existem aqueles malfadados dias
Em que o silêncio é capaz de remover montanhas,
E ainda que tentasse a voz por teimosias:
Não se expressa, não se diz, e não se explica.

Existem aquelas malfadadas horas,
Lentas horas, a ver um *Kafka por entre as palhas,
A ver um céu de etiquetas e roupas caras
Ou navegar
Por mares industriais.

Residem aquelas malfadadas decisões
Em minutos roubados que nos levam clarões,
Deixando o breu, o escuro, o intruso,
Tomar a rédea de nossas fracas ações.

Existem aqueles malfadados dias
Em que se busca, se almeja, e se quer a morte,
Quando no fundo só se quer mudar a própria sorte,
Quando no raso:
Só queríamos ver os campos; e o Forte.
...

Existem aqueles malfadados dias
Em que o nada se expressa através do nada,
Em que o nada se diz por entre a palha,
E o nada se explica:
Nada.
Ao som valioso do nada.


* Franz Kafka – Autor de “Um Artista da Fome”




Eterno (Prêmio Flipoços Amigos do Livro 2010)

Eles arrancaram minha boca;
E eu sorri.
Eles arrancaram meus braços;
Eu acenei.
Eles arrancaram meus ossos do pé;
Caminhei.
No fim trouxeram a máxima lâmina,
Deceparam a cabeça frágil do corpo,
Comemoraram a desventura do eu morto.

E eu voltei.




Cegueira da sobrevivência
(Prêmio Canon 2010)


No primeiro dia não vimos nada.
O disparo fatal no Arquiduque
As mentiras de cada colarinho
As canções que previram furo
As orações que previram rombo
O último assombro
O feno
Em pratos, tantos,
Desacostumados ao nobre capim.

No primeiro dia não vimos nada.
As migalhas em bocas conformadas
Os pássaros pedindo gaiolas de sobrevivência
Os Cardeais em sua santa indecência
Os Pastores trocando ovelhas por pessoas
Os riachos secos
Os becos
Não vimos o mangue seco
Apodrecendo aos poucos
Em cada um de nós.

No primeiro dia não vimos nada.
Não vimos o invasor ditar as regras
E molestar o seio de nossas famílias
E arrastar as primaveras, os doces dias,
Para fingir em falsas telas diabólicas
A vida vulgar que o meu filho morto
Não teria!

No primeiro dia não vimos nada.
Não vimos a fome
Não vimos a sede
Não vimos a morte
Não vimos a desunião
Não vimos a desilusão
Não enxergamos a injustiça
Nem as fantasias
As contas
Os abatedouros
O sangue
A utopia!
...
No segundo dia nós enxergamos tudo.
Sim, no segundo dia.
E seguimos exatamente como no primeiro.
Leia Mais ►

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Um Dia Bárbaro em Cinco Partes Desiguais


Um Dia Bárbaro em Cinco Partes Desiguais
Crônica de Allan Pitz

1
Hoje resolvi dar uma volta, uma dessas caminhadas banais que necessitamos sem maiores porquês. Simplesmente me levantei e saí. O ar de casa já não era o bastante. Nada parece ser o suficiente nessas horas. É necessário caminhar e pensar. Lá fui eu com seis pratas no bolso. Caminhando e pensando.


2
Ando um bom trecho, paro no ponto de ônibus, espero um deles chegar. Vou em pé dentro do ônibus lotado (sempre estão cheios) até o shopping mais próximo. Imagino estar em Bangladesh durante o caminho.

Um cara fala pro outro:

- Se o Flamengo não for campeão, mudo meu nome pra Valeska Popozuda!! A “paulistada” não tem chance esse ano!

Pensei que deveriam estar dizendo exatamente o contrário disso em um ônibus paulistano, igualmente lotado e sufocante.


3
Chegando ao Shopping - é melhor localizar logo o ar-condicionado -, eu faturo uma cerveja barata (o que dá pra pagar), e como um pequeno integrado social burguês vou me deliciar com vitrines. Deliciar-me...? Porra nenhuma: reparo, geralmente, é nas vendedoras (o Brasil não cansa de fabricar mulheres maravilhosas pra todos os gostos), ou nas roupas que penso em comprar quando puder (as minhas já estão bem surradas. Fazer o quê...?)


4
Opa! Vinte minutos e já preciso sair do shopping. Preciso fumar um cigarro e só pode ser lá fora (está certo, o câncer será meu e de mais ninguém, concordo. Revezo 20 minutos dentro e 5 fora). Acabo, volto; acabo, volto; acabo, volto; e me dirijo até a livraria principal do shopping (não resisto); é sempre bom dar uma conferida nos lançamentos mais destacados, os queridões do momento. Gringo, gringo, gringo, opa: aquele é brazuca! É, mas sei lá... Tem uma pinta meio paraguaia. O outro também? Não... Sei de nada... Sei bem pouco. Se eu fosse bom de verdade estaria ali também, como os “paraguaios” que estão ganhando dinheiro. Não quero entrar nessa de ser o sofredor incompreendido da pátria (“Oh, coitado, ele é um gênio comendo farofa de burro”), um gênio sem lâmpada e sem Aladim; a vida já anda me batendo demais sem essa autopiedade escrota pra ferrar de vez com tudo.

Se não estou ali, se não estou nas grandes livrarias, se não estou queridão de nada, não devo ser bom o bastante para tal. O que é bom pra mim não é pro outro; é assim, é uma bosta, é o cretino do Judas e as moedinhas de sangue no bolso maldito; ninguém agradará cem por cento a ninguém! É uma droga não saber o toque de Midas* da vida. Senão, a literatura do meu país seria injusta, e eu não tô a fim de entrar nessa lenga-lenga de sempre... Digamos que eu queira morrer patriota, agora. Tá vendo aqueles caras ali: leia eles primeiro. Meta o olhinho neles. Porque eles são os bons. Eles são bons pra cacete!!! O meu país diz que você deve ler eles, e não eu.

* Toque de Midas é um termo derivado do grego, significa dizer que aquilo que for tocado por você se transformará em ouro.


5
É, vou embora... O passeio pelas grandes livrarias consegue me deprimir se eu não estiver pessoalmente em um bom dia para apanhar. Bate uma ressaca sem bebida, a cabeça pesa o triplo (uma bigorna), é como desfilar num campo de batalha sozinho; não há nenhuma farda da mesma cor, nem aliados, nem capitão (saiu para almoçar e jamais voltou). Basta que alguém mire na minha cabeça frágil e dispare... É um campo de batalha onde não encontro minhas explosões. Posso atirar que ninguém se fere. Posso gritar que ninguém me ouve. Posso dançar peladão, posso morrer apedrejado que...

- Matheus Fritz?!

Viro-me ao som daquela voz. Que loirinha espetacular! Seus olhos azuis radiavam alegria; a calça jeans apertava as pernas compridas, bonitonas; o corpo na medida certa; os cabelos longos, ondulados e dourados; vestia uma blusa curtinha de flores azuis. Tudo que eu pude dizer (esboçar) com os lábios semicerrados e cara de tonto foi:
- Olá...

- Você é autor do livro As Pulgas Fugitivas, não é? – perguntou-me a Cachinhos Dourados.

- Sou...

- Ganhei seu livro no meu aniversário de 17 anos. Meu tio me deu.

- Seu tio te odeia muito...?

- Que nada! Eu adorei o livro! Ele tem um pouco de cada coisa: é bem legal. Deveria estar aqui na loja, entre os livros de bolso. O Matador de Gourmets também.

- Você também leu esse?! Estou com medo de você...

(Risos elétricos antes da fala simpática):

− É! Estava saindo por cinco reais numa feirinha de livros usados. Fui curiosa pelo que li no outro e comprei esse. Está de parabéns, hein!!

- Poxa, o meu dia melhorou muito! Qual o seu nome?

- Bárbara.

- Sem dúvida! Olhe, Bárbara, esses livros que você leu foram escritos em 2007 e 2008... Tenho um baú de textos melhores, mais recentes. Tem coisa nova pra sair. Que Deus me ajude a publicar!

- Eu li sobre as novidades numa entrevista tua! Vai dar tudo certo!

- Entrevista minha?

- Exato, o livro é Artéria Rodoviária – Um caminho para Monet, não é ?

- Isso...

- Então, estou esperando a sua próxima maluquice chegar. Não pare com as maluquices, por favor!

- Escute bem, Bárbara: como leitora você me achou maluco, lendo os meus livros?

- Sim... Mas não o culpo. Gostei do que li. Eu e meu tio gostamos de malucos na literatura.

- Eu também...

- Então é isso, Matheus, foi um prazer falar com você! Boa sorte com os livros!

- Com certeza o prazer foi todo meu, garota! Deixe o seu e-mail comigo, vou te mandar um livro de presente, quando sair algum novo.

Trocamos e-mails, demos os tradicionais beijinhos no rosto. Bárbara se foi na multidão, levando sua imensa trilogia de aventura fantástica recém-comprada. Belíssima criatura.

Humm... Então as coisas não estão realmente de mal a pior... Não mesmo. A caminhada de hoje me mostrou que a vida se apresenta de muitas formas ruins, mas também pode ser bárbara de vez em quando (que clichezão)! Talvez eu devesse escrever sobre isso - pensei. Antes, porém, voltei para a porta da livraria mais uma vez. Olhei bem para aquela vitrine, como quem chama alguém para uma briga particular, olhos nos olhos, papo nosso. Levantei a palma e fiz o gesto típico de “te pego depois, deixa estar, malandro”, meio que de banda.

Acendi um cigarro amassado na saída e voltei todo o percurso a pé, pensando nas bárbaras criaturas e nas criaturas bárbaras que encontramos pela vida, dividindo minha reflexão em algumas partes bem desiguais − como um reflexo de quase tudo neste mundo claramente desigual.


Leia Mais ►

Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

Obrigado pelo incentivo de todos.