quarta-feira, 20 de abril de 2011

Recomendação Paquidermes: 43 e-books gratuitos!

Eu estava pesquisando editoras pela Grande Rede quando encontrei o site da Editora Achiamé. O conteúdo é a chamada literatura libertária (anarquista), e a história da editora carioca passa pelo fim do período da ditadura militar, o início dos grandes movimentos trabalhistas... Bem interessante. Porém, o que mais me motivou a recomendar a Achiamé, foi ver a excelente página de e-books gratuitos. Quarenta e três livros à disposição dos leitores para download, entre eles alguns clássicos, ainda bem procurados nas livrarias brasileiras.



A Arte da Guerra - Sun Tzu




A Revolução dos Bichos - George Orwell








O Príncipe - Maquiavel

Abolição do Trabalho - Bob Black

A Cidade do Sol
- Tommaso Campanella

Lutando na Espanha - George Orwell


Veja a lista completa em:
achiame.com


A Editora na Wikipédia:
http://pt.wikipedia.org
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sábado, 16 de abril de 2011

O Paquidermes Culturais entrevista: Liana Cupini


Ficção, fantasia, comédia romântica? Para ela escrever é o único ponto chave. A mágica fluindo sobre o papel.

É com grande prazer que entrevisto hoje a escritora Liana Cupini, autora dos livros Estigmas da Luz e Antes Tarde que Mais Tarde, e idealizadora do Selo Brasileiro.




Pergunta à parte: Quem é Liana Cupini?

Uma metamorfose ambulante, como diria Raul... Rs.

1 - Flashback obrigatório: Como surgiu a escritora que você é hoje? E o que a motivou, definitivamente, para seguir firme na carreira literária?

Eu passei 25 anos tentando ser uma pessoa bem sucedida e realizada profissionalmente. E consegui: fui convidada para ser Gerente de um Banco. Só que não encontrei ali nenhuma felicidade. Eram pessoas frias e ‘falsas’, que não se importavam umas com as outras. Como eu não me encaixei, em pouco tempo estava fora do "emprego dos meus sonhos", depois entrei numa crise existencial. E me refugiei na escrita, como sempre fiz. E quando eu percebi tinha terminado o livro Estigmas da Luz, primeiro da trilogia Luz e Escuridão!

2 - Eu particularmente gostei muito do seu primeiro livro (Estigmas da Luz), aliás, gostei dos dois, tanto que fiz uma pequena apresentação para o segundo livro (Antes Tarde que Mais Tarde). Fale-nos um pouco sobre esses dois trabalhos.

Escrever ficção é incrível: você entra na estória, pesquisa, cria... É muito bom. E eu procurei ser o mais detalhista possível em Estigmas da Luz.
Já comédia é diferente. Você pega fatos do cotidiano, junta com a sua imaginação, e lá está.

Eu gosto dos dois gêneros, aliás, eu gosto de escrever e ponto. São trabalhos muito diferentes que tem apenas uma coisa em comum: meu estilo.

3 - O que seria um ‘excelente livro’, em sua opinião?

Um excelente livro é aquele que eu não consigo parar de ler! Acho que isso é fundamental... Você se envolver com o livro a tal ponto de pensar nele quando não está lendo; é fundamental para mim.

4 - Internet, blogs, twitter, facebook, orkut, trabalhos paralelos... Como você observa o desafio do escritor moderno com as novas obrigações digitais? Sobra tempo para estudar e escrever como você gostaria?

Allan, meu amigo. Se eu conseguisse me manter financeiramente só com a venda dos livros, escreveria um novo livro por mês (exagero, rs!). Contudo, eu tenho uma vida paralela, dou aulas, porque escritor brasileiro que está começando quase morre de fome! Literalmente! A internet nos ajuda; facilita... Os blogs e redes sociais nos promovem; mas ainda é um grande desafio!

5 - Lembro de uma escritora que me procurou alguns meses atrás... Sua energia estava lá nas alturas, ela falava em unir escritores, em alavancar livros nacionais, em correr o Brasil para falar com os leitores apresentando a nova literatura brasileira. Enfim, ela me convenceu fortemente a entrar para o grupo (mesmo que eu afirmasse ser louco demais para qualquer grupo). Em pouco tempo estava formado o Selo Brasileiro (um dos meus maiores orgulhos).
Liana Cupini, de onde veio toda essa coragem para unir escritores de diferentes “tribos”, e convencê-los a participar de um projeto único? Conte um pouco sobre a fundação do Selo Brasileiro e seus ideais.


Eu sou uma sonhadora, não nego. E sonho algum dia ver os lançamentos nacionais sendo destaques nas livrarias, e não os mesmos livros estrangeiros. Eu quero ver em uma lista de Livros Mais Vendidos o nome de vários autores brasileiros no topo, e não os clássicos de sempre. E, como diria Fabian Balbinot, um galho sozinho quebra fácil, mas um feixe de galhos não.

O Selo é a realização de um sonho, e a maior prova disso é que em menos de seis meses já conseguimos ver o retorno. E ainda temos muito que crescer e aparecer! Vamos viajar o país mostrando que existe uma literatura nacional contemporânea, e que ela abrange vários gêneros. Temos ótimos livros, precisamos apenas de oportunidades para mostrá-los.

6 - Cupini e os leitores; como funciona esse relacionamento?

Eles são a melhor parte de ser uma escritora iniciante. São fofos, carinhosos, me mimam demais... Espero conseguir retribuir todo esse carinho!

7 - Nos dias de hoje, a maioria dos escritores não consegue se dedicar inteiramente aos trabalhos de escritor, por motivos lógicos de sobrevivência. No início tudo é autopublicação, valores altos para publicar (mais do que um salário mínimo). Isso pode ser um desencorajamento aos mais pobres que possuem vocação literária? Um filtro natural que seleciona apenas os abastados?

Creio que não seja nenhum dos dois. Acho que é apenas o triste quadro do mercado literário nacional. E os que vão se destacar: serão os determinados, e não os abastados. (Não vou dizer os talentosos, porque é muito difícil essa vida de escritor, com ou sem talento...)

8 - O que seria, digamos, um pé no “saco literário” para Liana Cupini?

A distribuição dos livros. Escrever é fácil, divulgar é difícil, mas fazer seus livros chegarem a todo o Brasil é impossível!!!

9 - Você percebe uma grande americanização na literatura brasileira, ou acredita que sejam pequenos “equívocos” na busca pela mesma “excelência” em fazer bons livros?

Na verdade eu acho que há uma globalização em todos os campos, incluindo a literatura. Mas isso não impede que cada autor tenha sua individualidade e cultura colocada nos livros

10 - Um amigo, muito mais radical do que eu, diz que agora temos um escritor em cada esquina, e que todos querem escrever Best Sellers antes de viver seu próprio Best Seller pessoal (ou quase isso). Você concorda que um bom escritor, carrega consigo certo grau de experiência vivida antes de trazer vida ao papel?

Não! Acredito que escrever é um dom, assim como artes plásticas e música. Você treina para chegar o mais perto possível da perfeição, e esse treino demanda tempo, mas a idade e a experiência pessoal são independentes disto.

11 – Como você observa a Nova Literatura Nacional?

Crescente. Temos grandes novos autores (tanto no Selo Brasileiro, quanto fora) que só precisam de espaço para suas obras. E esse espaço tem de vir tanto das editoras quanto dos leitores.

12 - O que os leitores podem esperar dos seus próximos trabalhos?

Novidades. Logo sai os outros dois volumes da trilogia Luz e Escuridão, e pretendo ainda esse ano lançar mais dois chick-lits!!

13 - Papo bem ligeiro em cinco tempos:

Um livro de cabeceira: Cem Anos de Solidão (foi o que me fez despertar a paixão pela leitura!)

Uma música inesquecível: Lonely Day - System of a Down

Um filme: O Fantasma da Ópera

Um sonho: Viajar o mundo!

Um autor ícone: Amanda Hocking


14 - Agradeço por ter aceitado o meu convite. Deixo esse espaço livre para você:

Eu que agradeço a sua confiança em mim, e sua amizade. E agradeço aos leitores que estão abrindo a mente para receber a nova literatura nacional!!




Liana Cupini, natural de São Paulo – SP, nasceu em 11 de Fevereiro de 1984. Formada em Comunicação Social (Publicidade), estudou Comércio Exterior e tem MBA em Recursos Humanos. Autora da série Luz e Escuridão, teve o primeiro livro, Estigmas da Luz, publicado no final de 2010. Deve lançar, no decorrer de 2011, os dois livros que fecham a trilogia: Guardiões e Reino; Além do chick-lit Antes tarde que mais tarde! Voltado para o publico juvenil adulto, a autora escreve com uma linguagem simples e leitura ágil.

Saiba mais sobre a autora e seu trabalho em:
livrosluzeescuridao.blogspot.com
selobrasileiro.blogspot.com
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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Convidado Paquidérmico: Não tem nada pior do que o Excesso e a Falta!

O convidado da vez é o grande escritor gaúcho Fabian Balbinot, espero que vocês apreciem seu texto tanto quanto eu apreciei!



Não tem nada pior do que o Excesso e a Falta!


Nunca em minha vida vi dois antônimos serem tão entrelaçados, tão unha-e-carne quanto os termos gêmeos bivitelinos Excesso e Falta.

Incrível como esse casal de filhos da puta adverbiais, crias da moda style fashion humana contemporânea, conseguem ser tão grudados um no outro. Andam sempre juntos, frequentam as mesmas festas, aporrinham o saco das mesmas pessoas, praticamente ao mesmo tempo, mesmo sendo tão diferentes, vestindo roupas e usando penteados completamente avessos um em relação ao outro, praticamente opostos em todos os seus pontos de vista...

Veja só o meu caso: graças à publicação de meu livro Doença e Cura, e às trocas que andei fazendo com outros bloggers e escritores, consegui encher minha estante de livros, livretos, manuais, bíblias e outras tantas publicações. Estou com Excesso de livros pra ler, e, por conseguinte, Falta tempo.

Já fui fã de videogames, e, em tempos idos, antes do advento dos computadores, e dos emuladores, e dos copiadores, e dos plagiadores, e dos surrupiadores, o que havia eram cartuchos plásticos com jogos metidos lá dentro, variando de Pac Man a Super Mario, conforme as evoluções se sucediam. Nessa época, só se conseguia os ditos cartuchos de videogame comprando ou locando. E eram tantos cartuchos... um Excesso de títulos diferentes, e a total Falta de dinheiro para se locar ou comprar mais de um por vez.

Veio a informática, e com ela os tais emuladores, e copiadores, e plagiadores, e surrupiadores, e quando vi, meu adorável desktop possuía não menos que alguns milhares de jogos diferentes. Excesso de opções, combatidos pela Falta de interesse na grande maioria delas - jogos demais, repetidos demais, muitos idênticos demais. Impossível mesmo querer jogar todos.

E nem vou me deter no hoje em dia, em que o Excesso de títulos de jogos de videogame esbarra e acompanha a Falta de variedade no design. É um tal de jogo de esporte, jogo de ação, jogo de tiro, jogo de esporte, jogo de ação, jogo de tiro, jogo de esporte, jogo de ação, jogo de tiro, repita ad nauseam.

Excesso de carros iguais nas ruas em decorrência à Falta de criatividade dos designers, ou talvez fosse Excesso de regras e padrões para que sejam desenvolvidos carros, ocasionando Falta de inovações.

Ora, são tantas as brincadeiras e cirandas contextuais que se pode fazer com essas duas palavras, Excesso e Falta. A relação do casal chega a parecer incestuosa, tão grudados que esses dois são.

Excesso de trabalho, Falta de tempo. Excesso de tempo, Falta de dinheiro. Excesso de dinheiro, Falta do que fazer com ele. Vá trabalhar, vagabundo!

Excesso de crime, Falta de prisões. Excesso de prisões, Falta de controle com o erário público. Excesso de controle, Falta de liberdade. Excesso de liberdade, Falta de vergonha na cara, de moral... e, de novo, Excesso de crime.

Excesso de pessoas, Falta de preservativos, ou de comida, ou de lugar para acomodá-las... enfim.

Falta melanina? Excesso de sol? Câncer de pele.

Excesso de músculos, Falta de cérebro.

Excesso de sinceridade ou Falta de educação?

Falta de vitaminas? Pior ainda se elas forem em Excesso. Um horror!

E nessa minha busca pelo auge do desequilíbrio, chego a cogitar mesmo os Excessos de Faltas, que me fazem lembrar o futebol de várzea e o serviço público, e as Faltas de Excessos, que me cheiram a... sei lá... modorra, inanição, Excesso de virtuosismo ou de crença ou de fé, Falta de inteligência e de discernimento. Um martírio.

Parece até que se Faltam Faltas, ou Excedem Excessos, assim, ao quadrado, os problemas também se tornarão geometricamente piores: fundamentalismo, intransigência, narcisismo, ditadura, burrice, egolatria, vício, suicídio... e por aí vai.

Céus! Já repeti tantas vezes a palavra Excesso neste texto que chego a achar que estou com Falta de imaginação. Melhor parar por aqui, afinal, depois de tantos exemplos, me parece óbvio que...

Não tem nada pior do que o Excesso e a Falta!




Fabian Balbinot
Nascido em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, em 2 de julho de 1972, Fabian Balbinot é escritor, tradutor e revisor, designer de jogos, de textos e de web, desenhista, e atualmente vem trabalhando com vendas por força do destino.
Em 2005 desenvolveu o website MagicJebb.com.br - o primeiro catálogo em português para o jogo de cards Magic the Gathering. Em 2010 publicou seu primeiro livro, o romance de terror Doença e Cura.

Leia mais em:
http://magicjebb.blogspot.com/
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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dois Contos do Baú da Vovó



Depois do jantar - Carlos Drummond de Andrade


Também, que idéia a sua: andar a pé, margeando a Lagoa Rodrigo de Freitas, depois do jantar.

O vulto caminhava em sua direção, chegou bem perto, estacou à sua frente. Decerto ia pedir-lhe um auxílio.

— Não tenho trocado. Mas tenho cigarros. Quer um?

— Não fumo, respondeu o outro.

Então ele queria é saber as horas. Levantou o antebraço esquerdo, consultou o relógio:

— 9 e 17... 9 e 20, talvez. Andaram mexendo nele lá em casa.

— Não estou querendo saber quantas horas são. Prefiro o relógio.

— Como?

— Já disse. Vai passando o relógio.

— Mas ...

— Quer que eu mesmo tire? Pode machucar.

— Não. Eu tiro sozinho. Quer dizer... Estou meio sem jeito. Essa fivelinha enguiça quando menos se espera. Por favor, me ajude.

O outro ajudou, a pulseira não era mesmo fácil de desatar. Afinal, o relógio mudou de dono.

— Agora posso continuar?

— Continuar o quê?

— O passeio. Eu estava passeando, não viu?

— Vi, sim. Espera um pouco.

— Esperar o quê?

— Passa a carteira.

— Mas...

— Quer que eu também ajude a tirar? Você não faz nada sozinho, nessa idade?

— Não é isso. Eu pensava que o relógio fosse bastante. Não é um relógio qualquer, veja bem. Coisa fina. Ainda não acabei de pagar...

— E eu com isso? Então vou deixar o serviço pela metade?

— Bom, eu tiro a carteira. Mas vamos fazer um trato.

— Diga.

— Tou com dois mil cruzeiros. Lhe dou mil e fico com mil.

— Engraçadinho, hem? Desde quando o assaltante reparte com o assaltado o produto do assalto?

— Mas você não se identificou como assaltante. Como é que eu podia saber?

— É que eu não gosto de assustar. Sou contra isso de encostar o metal na testa do cara. Sou civilizado, manja?

— Por isso mesmo que é civilizado, você podia rachar comigo o dinheiro. Ele me faz falta, palavra de honra.

— Pera aí. Se você acha que é preciso mostrar revólver, eu mostro.

— Não precisa, não precisa.

— Essa de rachar o legume... Pensa um pouco, amizade. Você está querendo me assaltar, e diz isso com a maior cara-de-pau.

— Eu, assaltar?! Se o dinheiro é meu, então estou assaltando a mim mesmo.

— Calma. Não baralha mais as coisas. Sou eu o assaltante, não sou?

— Claro.

— Você, o assaltado. Certo?

— Confere.

— Então deixa de poesia e passa pra cá os dois mil. Se é que são só dois mil.

— Acha que eu minto? Olha aqui as quatro notas de quinhentos. Veja se tem mais dinheiro na carteira. Se achar uma nota de 10, de cinco cruzeiros, de um, tudo é seu. Quando eu confundi você com um, mendigo (desculpe, não reparei bem) e disse que não tinha trocado, é porque não tinha trocado mesmo.

— Tá bom, não se discute.

— Vamos, procure nos... nos escaninhos.

— Sei lá o que é isso. Também não gosto de mexer nos guardados dos outros. Você me passa a carteira, ela fica sendo minha, aí eu mexo nela à vontade.

— Deixe ao menos tirar os documentos?

— Deixo. Pode até ficar com a carteira. Eu não coleciono. Mas rachar com você, isso de jeito nenhum. É contra as regras.

— Nem uma de quinhentos? Uma só.

— Nada. O mais que eu posso fazer é dar dinheiro pro ônibus. Mas nem isso você precisa. Pela pinta se vê que mora perto.

— Nem eu ia aceitar dinheiro de você.

— Orgulhoso, hem? Fique sabendo que tenho ajudado muita gente neste mundo. Bom, tudo legal. Até outra vez. Mas antes, uma lembrancinha.

Sacou da arma e deu-lhe um tiro






Os Animais e a Peste - Monteiro Lobato


Em certo ano terrível de peste entre os animais, o leão, mais apreensivo, consultou um macaco de barbas brancas.

- Esta peste é um castigo do céu – respondeu o macaco – e o remédio é aplacarmos a cólera divina sacrificando aos deuses um de nós.

- Qual? – perguntou o leão.

- O mais carregado de crimes.

O leão fechou os olhos, concentrou-se e, depois duma pausa, disse aos súditos reunidos em redor:

- Amigos! É fora de dúvida que quem deve sacrificar-se sou eu. Cometi grandes crimes, matei centenas de veados, devorei inúmeras ovelhas e até vários pastores. Ofereço-me, pois, para o acrifício necessário ao bem comum.

A raposa adiantou-se e disse:

- Acho conveniente ouvir a confissão das outras feras. Porque, para mim, nada do que Vossa Majestade alegou constitui crime. São coisas que até que honram o nosso virtuosíssimo rei Leão.

Grandes aplausos abafaram as últimas palavras da bajuladora e o leão foi posto de lado como impróprio para o sacrifício.

Apresentou-se em seguida o tigre e repete-se a cena. Acusa-se de mil crimes, mas a raposa mostra que também ele era um anjo de inocência.

E o mesmo aconteceu com todas as outras feras.

Nisto chega a vez do burro. Adianta-se o pobre animal e diz:

- A consciência só me acusa de haver comido uma folha de couve da horta do senhor vigário.

Os animais entreolharam-se. Era muito sério aquilo. A raposa toma a palavra:

- Eis amigos, o grande criminoso! Tão horrível o que ele nos conta, que é inútil prosseguirmos na investigação. A vítima a sacrificar-se aos deuses não pode ser outra porque não pode haver crime maior do que furtar a sacratíssima couve do senhor vigário.

Toda a bicharada concordou e o triste burro foi unanimamente eleito para o sacrifício.

Moral da Estória:
Aos poderosos, tudo se desculpa…
Aos miseráveis, nada se perdoa.
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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

Obrigado pelo incentivo de todos.