quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Trechos do livro A Arte da Invisibilidade


Palavras de um Invisível:

A Arte da Invisibilidade é realmente um livro "pop desajustado". Tanto que sai da teoria filosófica e entra um pouco na minha vida, a vida de um cara invisível (grande Ph.D em Patavina). Não foi fácil, pessoal, não mesmo... Largar o escudo benéfico dos personagens nunca é facil. Mas tento fazer a minha parte dentro do cenário cultural. Escrevo com o coração. Escrevo pequenas peças para o nosso quebra cabeças, esperando sinceramente que se encaixem em algum lugar. Escrevo para dar opção aos leitores, e para me manter acordado. Não sei onde vou chegar, nem quanto tempo terei por aqui para chegar, mas sinto que preciso continuar caminhando. Sempre em frente. Assim é a vida.

Muito obrigado pela atenção de vocês. Boas leituras e boas energias.

Allan Pitz


Alguns trechos mais pessoais contidos na obra:

"Quatro anos entre papéis velhos e a bendita tela, e fala e escreve, e escreve e lê...
E sonha, sonha, sonha percebendo depois que nada é tão, tão assim,
mas que tudo também não foi assim: tão, tão nada. Dostoievski,
Sartre, Platão, Hemingway, Hesse, Bukowski, Garcia Marquez,
Plínio, Tolstoi. Como não aprender com esses caras?! E foram
tantos, e tantos mais... A princípio, eu os odiava, é claro; eram
inatingíveis em sua maioria, e a passagem do tempo me
desautoriza totalmente a cercá-los num apuramento verbal.
Uns putos, isso sim. Mas depois eu vi que era só briguinha de
paixão (que fiasco)... Como aquela vez em que eu arremessei
um livro do velho Buk contra a parede gritando: “Velho veado!
Deveria ter salvado A mulher mais linda da Cidade! Inútil
do cacete! Pinguço!” Todavia, posteriormente, entendi tudo
de novo sobre esse doido varrido memorável. Assim sendo,
a certeza era de que o fascínio por Bukowski me atingia, na
revelação sobre ele ser exatamente o que era." pág. 20

"Eu ainda me preocupo muito com a imagem externa, por
isso, me irritei daquele jeito quando me vi tão esquisito por
fora. Quando vou a palestras, ou sou convidado para conversar
com algum editor, volto para casa relembrando meu
comportamento, pescando alguma merda que eu possa ter falado
(sempre tem uma, fresquinha, no anzol), e me sentindo um idiota
completo, no mesmo ritual de falhanço já conhecido por mim.
O estudo filosófico em excesso faz com que nos esqueçamos
um pouco das regras comportamentais estipuladas, o “causar
boa impressão”, o ser visível que deve somar bons rótulos de
anexação para ser respeitado." pág. 60

"Pode ser que ninguém veja nada em mim, não fale nada
quando eu saio... Tive uma namorada, certa vez, que sempre
dizia que eu era pirado por querer entrar na cabeça das pessoas.
Você não pode saber o que os outros falam quando você não está presente, ela me dizia.
Posso sim, posso tentar porque estudo aquilo que eles não estudam, eu disse. Eles estão alienados.
Você é um babaca quando fica nessa pose de sabe-tudo, Allan.
Eu respondi que, talvez, ela tivesse razão. E a beijei sorrindo.
Aliás, Eliza sempre tinha razão enquanto estivemos juntos." pág. 61

"O robozinho esquisitão nos indica a saída com o dedinho
iluminado; logo, estamos fora da sala e me vejo na minha
modesta salinha de casa. Isa sumiu; as paredes amarelaram;
meus livros velhos voltaram; ao meu lado, a cafeteira, ligada
de novo. O que aconteceu? O que é isso? Cadê a baixinha? Ah,
é verdade... Eu criei uma alegoria neste capítulo... Eu criei esta
mentira... Isa nem esteve aqui, hoje... Ninguém esteve aqui,
em anos." pág. 108


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2 comentários:

  1. Muito legal seu livro, parabéns!! ;)

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  2. Muito obrigado, Ivone! É um material "malucão", mas a busca evolutiva é genuína.

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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

Obrigado pelo incentivo de todos.