sexta-feira, 7 de maio de 2010

O ARQUIVO PITZ


A foto: Allan Pitz (na época Allan 'Travatti') aos 19 anos. Essa é uma das fotos que iam para agências e cadastros de atores.

Nesses últimos dias o meu livro começou a circular de forma bastante expressiva para uma publicação até então despretensiosa, e com isso surgiram comentários inúmeros sobre a possível personalidade do autor. Imagino que as pessoas fiquem de fato confusas com minha personalidade, sendo o livro uma narrativa em primeira pessoa, envolvido com mortes, psicose, ciúme, ódio, poesia, ao tempo em que as cenas mais grosseiras são semeadas com certo humor negro. Pode-se imaginar claramente a confusão em busca de pistas.

Não há muito mistério se pensarmos que trabalhei como ator, principalmente em comédias, por oito anos, e que o meu primeiro lançamento literário foi um livro de poesias. Temos aí a “facilidade” do ator em armar-se de um personagem para desenvolver seus subtextos em prol do texto, e narrar as metamorfoses da trama atuando internamente em seu novo palco de papel (juro que não matei o cozinheiro).

Quando moleque, assisti a muito cine trash, li revistinhas de terror em preto e branco (tá, confesso, de sacanagens também), e sempre gostei de tramas pesadas em termos de sentimentos complexos, loucuras, grandes viagens; o livro que estou tentando publicar agora (Estação Jugular – Uma Estrada para Van Gogh) é muito mais louco e cenográfico em seu desenvolvimento complexo do que o “Cozinheiro”, menos poético talvez. O que não significa que jamais escreverei sobre temas brandos, cômicos, românticos. Sou um PhD em Patavina, por excelência auto proclamada, e tal carimbo de rua me concede evolução intrometida (fuxiqueira) em qualquer enredo canalha que me dê na telha, deixando a criatividade correr em 100, 200, 300, 500 metros e em marcha rítmica!

O Arquivo Pitz:

Dos oito aos treze anos, só queria saber de futebol e caratê, era goleiro de dia e tomava umas pancadas à noite (culpa do maldito Karatê Kid: o Sr Miaggy me enganou completamente).

Aos treze anos, eu era sempre elogiado pelos professores de redação (e sacaneado por outros alunos nessas horas de estrela nerd).

Aos quatorze, fiz aulas de boxe, aos dezesseis tentei a sorte como Allan Montanha (A patada Russa):
4 lutas
1 vitória (logo na estreia)
3 derrotas por nocaute...

Depois, pratiquei judô para doutrinar a mente e esquecer os golpes letais no queixo.
Fui repetente por três anos (5ª e 7ª séries do ensino fundamental, e segundo ano do ensino médio , sempre em matemática. Até hoje utilizo a calculadora)

Sonhava em ser Publicitário, mas minha descoberta da cachaça teatral alterou todo o contexto programado na Escola Técnica de Comunicação.

Aos dezoito anos, antes mesmo de terminar o curso teatral no SENAC com a maravilhosa atriz Miriam Pérsia, fui escolhido para ser ator protagonista em um espetáculo (drama) do renomado diretor Paulo Afonso de Lima (Os Miseráveis, Gardel, entre muitos outros).

A partir daí foram mais de dezesseis espetáculos, dois deles como escritor e diretor.

Na distância percorrida entre Piedade (subúrbio) e a zona sul carioca, nos horários mais cruéis para se transitar, ocorreram oito assaltos sofridos, alguns com repercussão jornalística na época. Sobrevivi!

Parei de interpretar e comecei a juntar meus textos. Senti necessidade de escrever meus textos e poemas, de ler mais intensamente, e logo eu me vi sugado por esse universo das letras 24 horas por dia! Isso foi suprindo tudo, o espetáculo habitava minha cabeça: sem luzes, cortinas, dependências alheias, patrocínio, “coleguismo bairrista”, nada; os maiores textos estavam comigo, se eu quisesse e me dedicasse integralmente a eles, ignorando qualquer impossibilidade para que fosse assim.

Atualmente: gaveta cheia, quatro publicações; não paro de escrever nunca mais.



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Um comentário:

  1. Muito legal conhecer melhor a sua trajetória - quando fizer o post da entrevistar vou adicionar um link para esse post.

    Bom fim de semana!!!

    ResponderExcluir

Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

Obrigado pelo incentivo de todos.