terça-feira, 14 de setembro de 2010

Deixa-me


Se pelas horas, lentas, sou teu dono
E te mereço
No vagar dos tempos,
E te mereço as facas
Desalento,
É que o amor,
Teu amor,
Por mim, respira.

E se as palavras
Tentam vir em rajadas,
De fogo ou vento
A responder renúncias,
Então te expurgo o ódio
Entre as unhas
Tal carrapato
Forasteiro
Em flor.

Se eu te mereço ainda o pensamento
E se as paredes novas não te prendem
É que no peito
Os sinos compreendem
Que o coração
Escolhe o sentimento.
(E o merecedor da canção)

Portanto não me tragas ódio
Nem me doe triste loucura,
Deixa-me,
Com a costumeira ternura
Que colhi da sua paixão!



(Parte do livro A Floresta Enigmática das Cerejas Mecânicas)

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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

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