segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Papai Noel é detido em casa de escritor carioca



Matéria de Vladislau Trombetta


Rio de Janeiro –
Um homem que se identificou como Papai Noel (ou Saint Claus), foi detido na madrugada de ontem no bairro de Piedade, subúrbio carioca, após tentar invadir a casa de um escritor.

- Notei uma movimentação estranha, os cachorros latiram muito, quando vi esse senhor já estava entrando pela minha janela! O escritor Allan Pitz relatou que o velho se identificara apenas como “o Papai Noel”, pediu-lhe silêncio, e disse que estava ali para negociar alguns exemplares de seus livros. Para maior estranheza, o meliante portava consigo uma extensa lista de nomes, que ele dizia ser das pessoas que lhe escrevem pedindo livros do autor no natal. – Ele me disse que se os livros estivessem nas livrarias ele não teria vindo aqui. Sinceramente, achei que era uma trama contra a minha vida. Acreditei que fosse um Papai Noel bomba ou algo assim! O saco que ele trazia era enorme! Poderia ter qualquer coisa ali dentro.
Allan disse ainda, que as cores da roupa do homem atraíram rapidamente a sua atenção, e que os moradores do subúrbio carioca atentam para as cores das facções criminosas. - Ele estava todinho de vermelho, com aquele sacão suspeito nas costas, e dizendo que queria meus livros! Foi tudo tão absurdo que precisei de ajuda policial! Imagine!

O papai Noel declarou que tudo fora um grande mal-entendido, e que o comportamento ofensivo do escritor seria prejudicial à entrega dos presentes: - As pessoas me escrevem querendo livros desse imbecil! O que se há de fazer?

Papai Noel teve sua fiança paga pela Rena Rudolph, e saiu calado sem dar entrevistas.


Os livros raros

Segundo o Delegado da área, Carpol Pimenta Coutinho, o homem queria levar alguns exemplares dos livros: A Morte do Cozinheiro, Duas Doses e um Bungee Jump, Visões Comuns de um Porco Esquartejado, e A Fuga das Amebas Selvagens para o Pólo Norte.
- É tudo muito confuso, nesse caso, mas o principal é que a polícia conseguiu agir rápido, e assim preservamos a integridade do escritor.




Os livros de Allan Pitz estão disponíveis para todos em livrarias e lojas virtuais. Até mesmo no site da Estante Virtual. O único que espera segunda edição para ficar disponível é o livro Visões Comuns de um Porco Esquartejado.


Livros de Allan Pitz no Natal? Até Papai Noel está querendo!!
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domingo, 14 de novembro de 2010

Entrevista com Allan Pitz no blog Literatura de Cabeça



Estava dando uma pesquisada no google quando achei essa minha entrevista para o Danilo Barbosa, do blog Literatura de Cabeça. Gostei muito relendo depois de um tempo. Ficará aqui também, para leitura de todos. Espero que gostem.

Link original: Literatura de Cabeça


Poeta, humorista, contista. Multifacetado homem que brinca com as palavras. Assim é nosso escritor Allan Pitz, autor do consagrado livro "A morte do Cozinheiro" (veja resenha aqui) . E com muita alegria trazemos um pouco das ideias desse excelente autor.


Quando começou a vontade de escrever?

Quando as histórias já pulavam da boca antes que eu pudesse contê-las. Atuando no teatro eu percebi que, na verdade, a escrita me supria totalmente. Eu não queria estar na cena, queria apenas criá-la.


É dificil a jornada para ser escritor?

Esse é um círculo muito doido... Cheio de curvas, opiniões, visões pessoais, barreiras, reis e rainhas, portais... Eu acho que ser ator ainda é muito mais fácil. Mas batalhar espaço na literatura de hoje, como escritor brasileiro, é divino! É uma briga que vale muito a pena!


O que prefere: ser escritor ou ser poeta?

Bem observado. Um músico pode escrever um poema para sua melodia, pode acontecer, mas ser um escritor e, com isso, vagar por todos os métodos de criação literária é outra história. Gosto mesmo é de escrever histórias. Poemas são expurgos involuntários da minha alma.


Em a morte do cozinheiro não me canso de dizer que vc transformou poesia em prosa. Foi dificil esta transição?

Não, pelo contrário, bastou trocar os meses convencionais de técnicas literárias por duas semanas de fluência poética sem barreiras. Deixei fluir o que vinha como se fosse realmente um poema, coisa meio de antigamente. Quando terminei é que fui cuidar melhor das estruturas. Foi um livreto escrito na mesma sintonia de um poema, para frente, seguido, sem delongas, urgente! A minha próxima obra a ser lançada, Estação Jugular, demorou muito mais tempo para ficar totalmente pronta.


De onde surgiu a inspiração para A morte do cozinheiro?

A ideia principal é navegar na mente de um pré-assassino passional, complexo, culto, ciumento, e a inspiração veio dos casos de crimes passionais, e das chamadas crises de ciúmes doentes. Até que ponto o Ser Humano pode esquecer quem é dentro de sua dor incontrolável? Essa é a inspiração. Ver o ciúme e a derrota de amor por dentro, de um ângulo bem diferente.


Tem mais algum projeto em andamento?

Falta bem pouco para sair o meu livro Estação Jugular! Já está fechado com uma excelente editora, e em breve estará aqui para observação dos seus leitores


Onde as pessoas podem encontrar seus livros e textos?

No meu blog, lá eu atualizo os links e publico alguns textos. Para comprar A morte do cozinheiro existem alguns pontos de venda no RJ e um em Torres, RS, e pela internet na livraria virtual Tarja. O meu livro de poemas Duas Doses e um Bungee é vendido somente em Portugal, mas pode ser adquirido por aqui através do site da editora World Art Friends.


Algum recado para quem está começando agora?

Tente. Persista. No começo os textos não sairão como o esperado, mas esses são os textos responsáveis pelos bons que ainda virão. Rabisque, leia, crie o seu ponto de vista, crie a sua fórmula, a sua escrita. O seu talento, escritor, está apenas em você, e nos seus estudos. Acredite e siga em frente. Tente não ser ansioso, evite enviar os originais para as editoras antes de uma boa revisão, o Brasil está cheio de bons profissionais, como a Kyanja Lee, por exemplo. Aposte no que há dentro de você.


Defina-se em uma palavra.

Teimoso.

Poeta, romancista, blogueiro. Sobra tempo para outras coisas?

Sinceramente: Estudar, comer e tomar banho. E sonhar, é claro. Mas no começo não dá pra ser diferente. Se você realmente quer ser lido e reconhecido, precisa ter nas mãos as palavras que os leitores querem ler (ou não esperavam ler) para expor ao mundo suas histórias, seus devaneios, e isso exige 110% de dedicação e amor. Meu maior compromisso é com o leitor. É um casamento velado e feliz.



Meus sinceros agradecimentos ao Danilo!
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sábado, 13 de novembro de 2010

Armação pura - o sonho de viver em Búzios (Diana Damasceno)



Armação pura - o sonho de viver em Búzios, de Diana Damasceno, é um livro de histórias divertidas sobre a experiência de uma jornalista urbana por excelência e cria de Ipanema, como moradora de Armação dos Búzios.
De forma bem humorada, a autora vai flanando por caminhos inesperados, pelo balneário, levando o leitor a descobrir lugares, curiosidades e delícias reservados apenas para quem vive em Búzios e tem um olhar jornalístico apurado.


DE IPANEMA A BÚZIOS

Acordei de madrugada com o silêncio me incomodando. Era a primeira noite em Búzios, na minha nova casa. Na minha nova vida.
Tenho muitos amigos, urbanos como eu, que vivem loucos para ir, nas férias, nos finais de semana, para praias desertas, sítios no meio do mato e, na volta, reclamam do sol, dos mosquitos, que não tinha nada para fazer no lugar. Eu também sou assim, gosto dos centros urbanos e sou condicionada às facilidades e desafios contemporâneos que eles oferecem, e mais, sou uma ipanemense ferrenha, daquelas que, se puder, fica meses sem sair do bairro, faz tudo a pé, do mercado ao cinema, adora o movimento da rua Visconde de Pirajá e que, ao ler uma crônica escrita pelo jornalista Zuenir Ventura, onde ele dizia que Ipanema era a sua aldeia, sentiu-se identificada, emocionada e invejosa por não ter escrito isso primeiro. Onde diabos, então, eu estava com a cabeça quando resolvi vir morar em Búzios?

O Paquidermes Culturais recomenda esse livro não só como um livro de crônicas, mas como um verdadeiro guia de viagens para quem pretende visitar e conhecer Búzios.
Altamente recomendado!



Diana Damasceno - Jornalista, roteirista, crítica literária e professora universitária. Autora dos livros Navio Fantasma (poemas), Biografia jornalística: o texto da complexidade (ensaio) e de um grande número de artigos jornalísticos e acadêmicos, roteiros para rádio, televisão e vídeo.

Blog do livro: http://osonhodeviverembuzios.blogspot.com



Clique para comprar o livro na Livraria da Travessa
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Trechos de um livro em andamento II


Mais trechos de um livro inédito que me absorveu nos últimos dias.


Parte do texto de abertura do livro A Arte da Invisibilidade (inédito de Allan Pitz)

De repente, a solidão faz com que nos brotem filosofia, universos paralelos, minimalismos, detalhes inéditos. Olhei as árvores todas no caminho de volta, tive vontade de descer e ir ao zoológico, andar mais, respirar fundo! Olhei os rostos, e as mãos, e as orelhas, os olhos. O ser humano não precisa mais do que ele já é...
Somos esse mar de gente andando e andando; com medo, com fé, coragem, fibra, ódio, amor... E eu queria me desculpar com eles, com o mundo, por não estar todos os dias no sol escaldante (ou na chuva), andando para trabalhar, gastando como um homem normal a puta sola do tênis barato... Queria me desculpar pela ausência do mundo, mas, no entanto, consigo ouvir claramente quando o Mundo exige de mim a ausência, ou a introspecção para serví-lo, agora.



Parte do terceiro capítulo

Talvez minha cabeça seja mesmo uma droga dum rapapé. Um balaio esquisito, criado pela esquisitice torta que é a minha vida, o retrato “Frankensteinizado” de meus pensamentos recortados em explosões. Nem eu entendo... Aliás, entendo sim, é uma mente fantasiosa que gosta de mostrar que é melhor do que eu. Mas ela é a minha mente. Então, eu sou melhor do que ela, por possuí-la em mim. Mesmo que ela seja melhor do que eu, quando me possui preso em suas células mentais.



Parte do sexto capítulo

A primeira regra para sobreviver na unidade social vigente é: dinheiro. Sem dinheiro não acontece nada. Então, para isto, até os pensamentos devem ser condicionados em valerem ou não valerem algum dinheiro. Você não deve pensar em coisas que não gerem lucros, pois o lucro abastado é o primeiro cartão de visita num mundo onde tudo tem um preço. Você precisa de dinheiro, até mesmo para optar em não ter dinheiro um dia, caso queira. Mas você decididamente precisa e precisará de dinheiro. Para qualquer situação da vida em nossa sociedade. Pense bem: dinheiro. Quando você não pensou nele, ou em algo que, sem ele, não seria possível realizar ou possuir?
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Um Peixe de Calças Jeans entra na lista dos mais vendidos!



Uma boa notícia para os que acompanham a saga Pitz:

O livro Um Peixe de Calças Jeans e outras histórias para unir entrou na lista dos mais vendidos da Editora Livro Novo! Essa é uma grande conquista para um livro tão recente, ainda mais quando observamos a lista recheada de títulos excelentes dessa mesma Editora.

O escritor Allan Pitz, acredita que a procura pelo livro não se deve somente pela evidência do bullying escolar na mídia. - As pessoas estão percebendo que o "Peixinho" não é um livro comum. É uma tentativa de purificar as crianças através de cinco historinhas subconscientes, como aprendi com o genial Dr. Joseph Murphy. Essas historinhas estão numa sintonia de integração e paz, as mentes infantis deverão assimilar tudo isso naturalmente! A leitura e, a lembrança das questões de cada história, farão com que o subconsciente formador ignore a violência e o preconceito. Ainda queremos ir além, nossa ideia é conseguir parcerias para fazer um dvd com os cinco desenhos animados contra o bullying, levar para projetos teatrais, fazer bonecos dos personagens para que as crianças remontem as historinhas em casa. Só estamos engatinhado!

Pitz lembrou ainda que seu livro é apenas uma semente, e que os esforços devem continuar dia após dia no combate permanente ao bullying: - Meu livro é simples, é só uma sementinha subconsciente de não violência. Devemos escrever livros nessa mesma onda de não violência para todas as idades escolares; eu mesmo aceitarei parcerias de estudiosos dessa área para o futuro. Podemos fazer mais dentro da teoria subconsciente, e da sintonia exemplar que Gandhi nos deixou com o Satyagraha.

Quando perguntado sobre as novas formas e estudos para o combate ao bullying, o autor respondeu que basta olhar para a vida e a obra desses dois homens, Dr. Muphy e Gandhi, para já encontrarmos aí milhões de respostas imediatas para a questão da violência. - As respostas para o problema já existem, a questão não é mais discutir: é agir!



Matéria Melissa Pavaninni
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Trechos de um livro em andamento


Cinco dias sem dormir direito, escrevendo sem parar (rabiscão original quase pronto). Seguem trechos de mais um trabalho do Circo Pitz para a leitura dos amigos paquidérmicos:

Parte do capítulo quatro

Rótulos... Como nós amamos e detestamos os rótulos! No entanto, eles existem desde que o mundo é mundo, pois se constitui como necessidade maior do ser humano saber (pensar saber) para quem aponta o seu dedo opinativo diariamente. E como as cabeças não querem se aprofundar em minúcias - não conseguem, em geral -, o rótulo social pode vir de qualquer lado, por qualquer motivo ou razão aparente.

Um dia o ferreiro Grant, velho galês, bebeu tanto que acordou abraçado com uma cabra. No seu vilarejo, ficou conhecido como “Grant - O ferreiro das cabras”. Vladimir falou sobre a vida fora da Terra com algumas pessoas que ignoram o assunto; desde esse dia, para aquela unidade de convívio, ele se tornara “Vladimir Espacial - O rapaz de Saturno”.



Parte do capítulo dez

Penso mais uma vez sobre estar apático. Porque eu estaria apático?
Os assuntos! É isso, Letícia devia estranhar os temas com que eu trabalho.
Já que eu li uma série de bêbados e desventurados, eu deveria ter iniciado minha carreira literária com alguma história semelhante. Esse A Morte do Cozinheiro ninguém vai publicar. Por quê? Eu quis saber. Porque ninguém sabe que merda é essa e o que acontece direito até o ponto final. Não tem diálogo. Parece poema correndo. E o cara xingando o coitado o tempo todo, fumando maconha, está com algum encosto!! Nisso eu perguntei: Então o que falta para esse livro ser publicável?! Primeiramente, escrever outro melhorzinho. Bem, deixemos Letícia pra lá... Eliza também... E tudo mais! Dane-se! Se o livro é tão maluco assim façam uma fogueirinha para marshmallows no quintal de casa!


Parte do capítulo onze

Eu ainda me preocupo muito com a imagem externa, por isso me irritei quando me vi tão esquisito por fora. Quando vou a palestras ou sou convidado para conversar com algum editor, volto pra casa lembrando meu comportamento depois, pescando alguma merda que eu possa ter falado (sempre tem uma fresquinha no anzol), e vou me sentindo um idiota completo.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O blog do Peixinho da Paz já está no ar!



O blog oficial do livro Um Peixe de Calças Jeans já está no ar! Mais uma vez, sob as asas criativas do designer carioca André Siqueira/Era Eclipse. Um expert, em fazer novos projetos visuais acontecerem.
http://umpeixedecalcasjeans.blogspot.com/

Lá no blog do peixinho vocês encontrarão diversas informações sobre a obra, sua missão, a metodologia, e muitos links e matérias abordando violência escolar, e abordando bullying como um todo.

O Paquidermes Culturais seguirá como antes, minha carreira de livros também (em breve será lançado Estação Jugular - Uma Estrada para Van Gogh / previsão da Editora para março de 2011). Inclusive, meu terceiro romance está em fase de finalização.
Portanto, as matérias relacionadas a essa obra infantil ficarão no outro blog, que servirá também como um farol sobre as principais notícias envolvendo o delicado assunto tema.

O livro é de fato uma questão pessoal minha com o tema da violência infantil (escolar); vamos resolver, então, essa antiga questão numa arena literária.
Estou tentando fazer a minha parte como cidadão pensante.

Me desejem boa sorte!


Um Peixe de Calças Jeans - Histórias para Unir (Originalmente escrito em 2008)
Editora Livro Novo

http://umpeixedecalcasjeans.blogspot.com/
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IV Semana de Produção Cultural & Arte e Cultura




Irei como convidado, mais uma vez, participar de um evento cultural na Universidade Candido Mendes, o que é maravilhoso! Dessa vez será bem diferente do ano passado, ao invés de ser entrevistado sobre os caminhos do jovem escritor brasileiro, eu terei a honra de entrevistar a escritora Diana Damasceno, no lançamento de seu livro Armação pura: O sonho de viver em Búzios. Espero não fazer feio por lá!

Diana Damasceno - Jornalista, roteirista, crítica literária e professora universitária. Autora dos livros Navio Fantasma (poemas), Biografia jornalística: o texto da complexidade (ensaio) e de um grande número de artigos jornalísticos e acadêmicos, roteiros para rádio, televisão e vídeo.


Quarta-feira, 11h:

“Funarte: Um Estudo de Caso”
Mediador: Prof. Felipe Berocan - IH/UCAM
Marcos Teixeira - Coordenador de Circo
Heloísa Vinadé - Coordenadora de Teatro
Eulícia Esteves - Coordenadora de Música Popular
Fabiano Carneiro - Coordenador de Dança


Quarta-feira, 20h:


“Curadoria de Arte”
Mediadora: Prof.ª Renata Proença - IH/UCAM
Andreas Valentin - IH/UCAM
Marcio Doctors - Curador da Fundação Eva Klabin e da exposição "Instalação ao ar livre"


Quinta-feira, 11h:


“Produção Fonográfica”
Mediadora: Prof.ª Ana Ferguson - IH/UCAM
Marco Mazzola - Produtor Musical
Márcio Costa - Ponto de Equilíbrio
Da Ghama - Músico



Quinta-feira, 20h:

“Cinema e História”
Mediador: Prof. Guilherme Moerbeck - IH/UCAM
Prof. Ms. Fábio Frizzo - UCAM/UVA
Prof. Paulo Henrique Pachá -SEE-RJ


Sexta-feira, 11h:

“Búzios: Cultura e Consumo”
Lançamento do livro “Armação pura, o sonho de viver em Búzios” de Diana Damasceno e entrevista da autora por Allan Pitz.

Sexta-feira, 20h:

“CCBB: Análise de Uma Instituição Cultural”
Mediador: Prof. Felipe Berocan -IH/UCAM
Kátia Chavarry - Programa educativo CCBB
Walter Siqueira - Diretor do CCBB
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Paquidermes Culturais entrevista: Jana Lauxen


Abram alas, amigos paquidérmicos! Deixemos entrar no blog os hipopótamos festeiros e os elefantes ordinários vindos do Sul, berrando suas idéias todas de uma só vez! Estendo hoje, na savana dos meus livros e pensares, um imenso tapete vermelho para receber a formidável Jana Lauxen (autora do livro Uma Carta por Benjamin); uma das escritoras mais interessantes que tive o prazer de ler ultimamente! E que, sem dúvida alguma, já conquistou seu espaço cativo entre os grandes escritores de agora. E de sempre.

Confiram a entrevista!


Pergunta à parte: Quem é Jana Lauxen?

Eu sou uma pessoa do bem. Errante, porém do bem.

1 - Flashback obrigatório: Como surgiu a escritora que você é hoje? E o que a motivou, definitivamente, para seguir firme na carreira literária?

Eu tinha uns 18 anos quando decidi escrever meu primeiro livro, e foi a partir desta experiência que peguei gosto pela coisa. Antes eu achava que queria ser desenhista, e quando era criança cheguei a manter, durante anos – sim, anos! – uma revista em quadrinhos que criei com meu primo Leandro, chamada Gatos Contra Atacam. Eu fazia tudo a mão, tirava xerox e vendia para parentes por preços superfaturados, rara. Era divertido.

Mas se eu precisar citar exatamente quando foi que surgiu meu desejo de tornar-me escritora, posso dizer seguramente que foi depois de escrever este livro, cujo título é Flores no Deserto e possui inacreditáveis 280 páginas.
Não sei dizer o que mais me motivou para seguir firme e forte na carreira literária, mas honestamente acho que nada.

Não precisamos de motivação para fazer o que gostamos, como, por exemplo, comer uma travessa de brigadeiros. Escrever, para mim, é como comer uma travessa de brigadeiros, e eu comeria uma travessa de brigadeiros mesmo que ninguém se importasse com isso.

No entanto, meus pais sempre permitiram (e, além disso, incentivaram) que eu investisse naquilo que eu gostava de fazer. Isso foi, sem dúvidas, imprescindível. Eles nunca encheram meu saco para ‘arrumar um emprego de verdade’ e etc, como tanto vejo acontecer por aí. Isso pode matar o cara! O mundo pode perder um grande escritor apenas porque um pai e uma mãe não tiveram competência suficiente para entender que seu filho quer escrever ao invés de ‘tocar as empresas do pai’.
Os meus pais não mataram a escritora que eu queria ser, e serei eternamente grata a eles por isso.

2 - Jana, seu livro Uma Carta Por Benjamin é realmente fantástico (devorado por mim em três horas de compulsão). Sinceramente, eu guardo um carinho mais que especial por protagonistas interessantes, e que são assim sem forçarem grandes movimentos para se mostrarem assim; como Henry Chinaski, por exemplo. Simples dentro do cenário. Fascinantes fora dele. Poderíamos dizer então que Benjamin é um Loser, um anti-herói que amamos por identificação natural? E você, como escritora, tem carinho pelos personagens que, à primeira vista, não passam de sujeitos comuns ou “perdedores natos”?

Muito carinho, especialmente pelos comuns. O comum é fantástico, e ali residem boas histórias. Histórias que, na maioria das vezes, são sumariamente ignoradas por leitores e escritores, que de regra optam por envolver numa mítica teatralmente trabalhada seus personagens - o que é legal, mas nem sempre reflete a realidade.
Perceba que muitos livros apresentam seus protagonistas como comuns ou perdedores, mas geralmente são personagens emblemáticos, dubiamente atraentes; perdedores que optaram por serem perdedores; que escolheram escapulir de tudo o que a sociedade convencionasse, e por isto são mais interessantes do que, de fato, fracassados. Até porque, se você se orgulha do fracasso, ele deixa de ser fracasso e se torna uma medalha, correto?

E por isso discordo quando você compara Benjamin com Henry, personagem do grande Bukowski. Henry é um bêbado sensacional que anda com putas pela noite enquanto usa drogas, faz sexo e envolve-se em transgressões dos mais variados tipos. Ele é um anti-herói, e muita gente não apenas se identifica como gostaria de ser como ele. Sua vida, por mais suja e politicamente incorreta que seja, é muito, muito fascinante.

Benjamin, não. Nem para anti-herói ele serve, porque ninguém quer ser como ele, ninguém deseja levar a vida dele. Ele é chato, azedo, acomodado, não usa drogas, não bebe, não anda com putas, não faz nada que possa despertar o menor interesse em qualquer pessoa. Apenas vive dentro da lei e do seu apartamentinho, envolvido em problemas idiotas ao lado de uma empregada com a qual nem conversa. E seria para sempre um completo inútil para a literatura se a vida não o tivesse obrigado a fazer alguma coisa por ela – e inverter toda a história.

Muitos leitores já me disseram que se identificaram com o Benjamin – mas talvez só tenham assumido isto porque Benjamin, lá pelas tantas, deixa de ser apenas mais uma pessoa comum na multidão para ganhar status de herói. É neste ponto que ele se torna interessante, e as pessoas passam a se identificar. Porque, a bem da verdade, nos identificamos mais com aquilo que gostaríamos de ser do que, de fato, com aquilo que somos.

Se Benjamin tivesse permanecido no seu apartamento com a sua empregada comendo pão com margarina, possivelmente todo mundo preferisse continuar acreditando que é mais parecido com o Henry ou com qualquer outro protagonista mais apimentado, do que com um chato sem sal como o Benjamin.
Porque a grande maioria das pessoas é Benjamin e não Henry – mesmo que se esforcem para parecer o contrário.

3 - O que seria um ‘excelente livro’, em sua opinião?

Aquele que não consigo parar de ler.
Os motivos podem ser os mais variados, mas o livro precisa me pegar de jeito, me prender e nunca mais soltar. Preciso pensar: não posso viver mais um segundo da minha vida sem saber o que vai acontecer nesta história.
E quando o livro se aproxima do final você freia sua leitura que, até então, era frenética, porque não quer que ele termine nunca mais.

4 - Observando através de sua experiência pessoal: como está o cenário dos livros e escritores no Brasil? Ordem e progressos?

O cenário dos livros, na minha opinião, está bem bom. Apesar de todo mundo continuar reclamando sem parar que o brasileiro não lê e etc, nunca se vendeu e se leu tantos livros neste país.

Concordo que poderia estar melhor, e que, de fato, uma parcela absurda da população sequer sabe ler, mas comparando com o passado, penso que estamos progredindo.
E como existem mais pessoas lendo, naturalmente existem mais pessoas escrevendo, e então chegamos ao ponto X da questão: entre os novos escritores - sejam eles consagrados ou não - creio que existe uma fatia graúda de autores medianos, que escrevem bem, mas não trazem nada de novo. Você lê o livro do sujeito e fica com aquela impressão de dejávu.

Temos também um número razoável de autores ruins, mas que possuem bons contatos, quando não possuem bons padrinhos, e por isso estão sendo publicados.
E existe uma minoria excepcional, que trabalha sua literatura de um jeito inédito, atraente, original, para além do lugar-comum.

A boa notícia é que existe espaço para todos.

"Os meus pais não mataram a escritora que eu queria ser, e serei eternamente grata a eles por isso."




5 - Voltando ao seu excelente livro, gostaria de destacar essa parte: “A vida de Benjamin era uma vida comum. Como é a vida de quase todo mundo.”
Mas nessa vida tão comum do protagonista acontecem fatos incríveis, o herói somos nós, o cenário é a porta de sua casa, a calçada de sempre, o amigo abandonado, o vizinho, a placa banal que vemos todas as manhãs! De onde veio a inspiração de transformar o “simples” em algo tão sensível, mágico e envolvente? Acredita no jargão do Luxo no Lixo?


Eu não creio que transformei o simples em algo especial, porque o especial está, esteve e sempre estará justamente no simples. Isso é super clichê, e eu sei, mas não passa da mais pura verdade – como quase todos os clichês.

Eu acho que vivemos uma época demasiadamente deslumbrada, e a internet colabora muito para isso. Basta acessar as muitas redes sociais onde estão conectadas todas as pessoas do planeta: todo mundo é bonito e feliz e se sente muito confortável sendo quem é o tempo inteiro. Na realidade não é bem assim, todo mundo sabe que não é bem assim, mas todo mundo continua pintando de si a imagem que gostaria de ter, e não necessariamente a imagem que tem. Inclusive eu e você.
O problema é que a vida é aquilo que acontece enquanto a gente tenta sair bem nas fotos que vamos postar no facebook.

Veja você que a vida de Benjamin mudou, mas mudou em que sentido? Não exatamente naquele no qual todo mundo parece acreditar que se encontra a felicidade – geralmente na frente dos holofotes. Tanto que Benjamin fez tudo o que fez e ninguém – eu disse NINGUÉM – ficou sabendo.

Em dias de deslumbramento, ninguém faz nada que não possa ser reconhecido pelos outros. É aquela velha história: de que vale ter uma Ferrari se ninguém souber que você tem uma Ferrari?

Se não rolar confete na cabeça, parece que não vale à pena. E isto, para mim, é colocar o lixo na estante e o luxo na privada. E dar a descarga.

6 - Você é o tipo de pessoa que: o lugar é aqui e a hora é agora? Ou prefere tocar o barco da vida com mais calma, ponderar até amadurecer as idéias?

Eu sei - e creio que todo mundo também saiba - que o correto é tocar o barco da vida com cautela e cuidado. No entanto eu faço - e creio que todo mundo também faça - exatamente o contrário.

Eu procuro me guiar pela razão e pela prudência, mas na prática acaba sendo aqui e agora e de qualquer jeito. Tem horas que dá certo, e tem horas que não dá. Mas acho que isso passa, e com o tempo vamos aprendendo a pisar no freio, parar e respirar antes de fazer qualquer outra coisa.
Pelo menos é isso que eu espero que aconteça, pelo bem do povo e felicidade geral da nação.

7 - O que seria, digamos, um pé no “saco literário” para Jana Lauxen?

Autores que escrevem difícil para parecerem inteligentes e mascarar sua completa falta do que dizer.

8 - Nos dias de hoje, a maioria dos escritores não consegue se dedicar inteiramente aos trabalhos de escritor, por motivos lógicos de sobrevivência. Isso pode ser um desencorajamento aos mais pobres que possuem vocação literária? Saber que as pessoas mais estudiosas (pensadores), que se dedicam a nutrir as mentes de informações, não conseguem, por vezes, nutrir seu próprio estômago... Não seria um convite para que as elites abastadas assumam definitivamente o posto de pensadores nacionais?


Verdade. E é impossível fazer qualquer coisa antes de nutrir o estômago e pagar o aluguel.

O fato é que ter dinheiro nunca atrapalhou ninguém, muito pelo contrário, e é evidente que sempre trará mais facilidades na hora de se assumir qualquer tipo de status social.

Porém, não acredito que isto possa desencorajar algum aspirante a escritor financeiramente prejudicado, pelo menos não se ele gostar realmente de escrever. Quando perguntam sobre a minha profissão, tenho até vergonha de dizer que sou escritora, porque escrever, para mim, não é trabalho, não é profissão; é prazer, é divertimento.

Possivelmente o escritor não viverá só de literatura, e por isso terá de arrumar um emprego, e é inegável que dividir a escrita com qualquer outra ocupação que lhe tome 8 horas por dia, ou mais, é desgastante e certamente criará muitos empecilhos. Mas não impedirá que ninguém faça o que gosta e o que quer fazer.

9 - O que parece contar mais para os leitores de agora: o livro ou a imagem do escritor para vender o livro?

A imagem do escritor sempre contará mais do que aquilo que ele produzir. Na verdade, como disse acima, em época de deslumbre a forma sobrepõe o conteúdo, e nisso incluo a literatura. Tanto que vejo muitos escritores mais preocupados em construir e aperfeiçoar sua imagem do que em construir e aperfeiçoar seu texto.

10 - O Universo recebe agora uma carta por Jana Lauxen. O que poderia estar escrito nela?

Prezado Universo:
Oi.
Seja mais generoso na hora de conspirar.

Beijo, Jana.

11 - O que os leitores podem esperar dos seus próximos trabalhos? Algo de novo para acontecer em breve?

Sim. Terminei de escrever o que será meu próximo livro. Agora começa realmente o trabalho, que é revisar e cortar e reler e achar que está um lixo e pensar em desistir e chorar e revisar e reler e etc. Se chama O Túmulo do Ladrão, e pretendo lançar ano que vem.

Fora isso, continuo batendo cartão na Café Espacial e na revista eletrônica Zena, e em breve estrearei uma coluna no site do jornal Diário da Manhã.

Ah. E no meu blogue, onde continuo positiva e operante.



12 - Papo bem ligeiro em cinco tempos:
Um livro de cabeceira: O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec
Uma música inesquecível: Angel – Jimi Hendrix
Um filme: Depende. Para rir ou chorar?
Um sonho: Liberdade. Nunca a teremos plenamente, na verdade.
Um autor ícone: Luis Fernando Veríssimo

13 - Agradeço por ter aceitado o meu convite. Deixo esse espaço livre para você:

Sou eu quem agradece, querido Allan.
O espaço, a divulgação e, principalmente, a oportunidade de conhecê-lo.
E já que me deixou este espaço livre, vou encerrar esta entrevista com uma frase que eu costumo escrever por aí sempre que surge uma oportunidade, e cuja autoria é de um sujeito chamado Fernando Pessoa: a literatura é a melhor maneira de ignorar a vida.
Portanto, leiamos.

Links para Jana Lauxen:

- Meu blog: http://janalauxen.blogspot.com

- Primeiro capítulo do livro Uma Carta por Benjamin: http://janalauxen.blogspot.com/2009/04/uma-carta-por-benjamin-1-capitulo.html

- Revista Café Espacial: http://www.cafeespacial.wordpress.com

- Revista Zena: http://revistazena.com.br

- Jornal Diário da Manhã: http://www.diariodamanha.com.br


Jana Lauxen é publicitária e escritora, autora do livro Uma Carta por Benjamin (Ed. Multifoco, 2009, 136 páginas, R$28). Trabalhou como editora do Selo Literarte (Ed. Multifoco) e organizou, ao lado de outros escritores, as coletâneas Assassinos S/A (contos policiais, com Frodo Oliveira), Crônico! (crônicas brasileiras, com Beto Canales), Quadrinhos em História (HQs, com Sergio Chaves) e Literatura Futebol Clube (contos, crônicas e poesias sobre futebol, com Jovino Machado).
É colunista da revista independente Café Espacial, do jornal Diário da Manhã e da revista Zena.
Publicou a historieta Pela Honra de Meu Pai, pela Mojo Books, inspirada na banda Pata de Elefante. Foi editora da versão brasileira da revista eletrônica inglesa 3:AM Magazine, e também uma das idealizadoras do projeto E-Blogue.com (in memorian). Participou de mais de 10 coletâneas, sendo a mais recente Galeria do Sobrenatural, da Terracota Editora.
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Este blog surgiu após inúmeras recomendações, broncas, cascudos e beliscões de conhecidos. Aqui está, enfim, um espaço próprio para o escritor Allan Pitz publicar suas "Patavinices", seus textos, seus livros, e tudo o mais que o tempo for lhe guiando e desenvolvendo.

Obrigado pelo incentivo de todos.